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O estatuto de Durão Barroso.

Terça-feira, 13.09.16

Leio aqui que Durão Barroso diz que está a ser "discriminado", ele e o Goldman Sachs, por a Comissão Europeia o ter passado a considerar um simples "lobista", em lugar de lhe manter a passadeira vermelha de ex-Presidente da Comissão Europeia. Parece que no PSD há muita gente que concorda com ele, mas o prémio para a defesa mais criativa vai para Paulo Rangel, que considera isto uma conspiração para prejudicar a candidatura de Guterres à ONU. Cuidado, portugueses, que os bandidos da Comissão Europeia actual (a anterior era impecável!) querem prejudicar um dos nossos concidadãos, ao dar o estatuto de lobista a outro.

 

Ora, aqui está um combate político que vale a pena ser travado. É preciso lutar arduamente contra a infame discriminação a que estão sujeitos os grandes bancos de investimento e os seus contratados. Temos que exigir que o presidente não executivo do Goldman Sachs não seja discriminado e possa manter o estatuto de ex-presidente da Comissão Europeia. E não interessa nada que a sua ida para o Goldman Sachs tenha sido um choque para os funcionários europeus. Esses funcionários têm que perceber que não podem prejudicar as expectativas de carreira dos ex-presidentes da Comissão Europeia. Afinal de contas, e como disse Marcelo Rebelo de Sousa, ir para o Goldman Sachs é atingir "o topo da vida empresarial", sendo uma maravilha ver "portugueses reconhecidos em lugares cimeiros".

 

Faço uma avaliação muito negativa dos mandatos de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia, um tempo em que esta se apagou completamente, deixando a Europa nas mãos do eixo franco-alemão. Mas, apesar disso, dez anos como Presidente da Comissão constituem um marco histórico, de que ele se deveria pessoalmente orgulhar. Depois disso, ou ocupava um cargo político de topo, nacional ou internacional, ou dedicava-se a escrever livros relatando a sua experiência, a dar aulas e a fazer conferências pelo mundo. Durão Barroso deitou tudo isso fora ao ir para o Goldman Sachs. Só se pode por isso queixar de si próprio, não podendo pretender que a Comissão Europeia lhe reconheça um estatuto que ele mesmo não quis para si, achando mais importante um lugar na Goldman Sachs. E aos que apoiam esta decisão de Durão Barroso, pergunto apenas se alguma vez viram um ex-Presidente dos Estados Unidos a aceitar um cargo semelhante.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 19:24





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