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A repressão na Catalunha.

Sexta-feira, 23.03.18
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A atitude de Espanha em relação à Catalunha constitui um exemplo típico de repressão, que deveria envergonhar qualquer cidadão europeu. Mas infelizmente as instituição europeias fartam-se de denunciar a repressão na Turquia e na Rússia, mas fecham os olhos ao que se passa em Espanha. Fizeram-se eleições, mas não se deixam os eleitos formar um governo, sendo convenientemente presos na véspera da investidura parlamentar. Se não quiserem ser presos, resta-lhes o exílio, uma vez que os órgãos judiciais espanhóis nem sequer se atrevem a pedir a sua extradição, dado que a maioria dos Estados não extradita por delitos políticos. Provavelmente a ideia é colocar na prisão ou no exílio todos aqueles que têm ideais independentistas, o que implica prender por delito de opinião. Como é que se pode aceitar isto num país da União Europeia em pleno século XXI?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 19:14

O regresso da Rússia.

Terça-feira, 20.03.18

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Passei os últimos dias do ano passado em viagem pela Rússia, aproveitando para ler a magnífica obra de Montefiore sobre os Romanov, que recomendo vivamente. O contacto com a população local fez-me ficar convencido de que o Ocidente nada compreende sobre a Rússia. O povo russo vive pacificamente com temperaturas que chegam a atingir -40º no Inverno, enquanto na Europa fica tudo paralisado com qualquer frio de muito menor intensidade. Na Rússia está tudo preparado para qualquer ataque terrorista, sendo que Putin não deixa nada ao acaso. Em Moscovo, na noite de fim-de-ano, as ruas foram completamente ocupadas com bulldozers para evitar carros armadilhados e o exército controlou completamente os festejos. O povo russo compreende que está em guerra na Síria e não deixa nada ao acaso. Curiosamente a passagem do ano foi realizada com um discurso de Putin, que falou na televisão mesmo antes de soarem as doze badaladas. E a popularidade de Putin é enorme, sendo que a maior parte das pessoas não compreende as sanções que o Ocidente lhe dirige. Dizia-me o guia: "Estamos a ter menos turistas sem qualquer justificação. Isto é por causa da Crimeia? A Crimeia sempre foi russa. Podem lá ir e perguntar a quem quiserem!". E de facto estas eleições demonstraram-no, com Putin a atingir 90% dos votos na Crimeia, mais ainda do que os já impressionantes 70% que teve no resto do país. 

 

A obra de Montefiore demonstra em qualquer caso o enorme expansionismo da Rússia. Desde que chegaram ao trono em 1613, até à sua queda em 1917, os Romanov expandiram o território russo em 52000 km2 por ano, nada menos do que 142 km2 por dia. A influência da Rússia na Europa é convenientemente esquecida na versão ocidental da história, que praticamente omite as vitórias russas nas sucessivas guerras europeias. Toda a gente admira na Alemanha o Imperador Frederico II, o Grande, esquecendo que na guerra dos sete anos só não perdeu Berlim, ocupada pelas tropas russas, porque morreu a Czarina Isabel, e o seu sucessor, o Czar Pedro III, que o admirava, mandou retirar as tropas, atitude ainda hoje considerada na Rússia um acto de traição. Toda a gente refere que na campanha da Rússia Napoleão conquistou Moscovo, mas ninguém fala que depois disso o Czar Alexandre I entrou duas vezes em Paris.

 

Por isso, quando a Rússia perde território, tenta reconquistá-lo. Após a enorme cedência de território em Brest-Litovsk, a Rússia procedeu paulatinamente à sua recuperação, tendo conseguido o apogeu na Segunda Guerra Mundial, que a história do Ocidente retrata como uma vitória sua, quando deixou metade da Europa nas mãos de Estaline, figura que aliás nunca foi contestada pelos aliados. Churchill dizia que, quando se olhava para aquelas personagens de Dostoievsky, percebia-se que a Rússia só podia viver em ditadura. Hoje a Rússia tem eleições, mas para escolher um autocrata, o qual considera que a queda da União Soviética foi um desastre. E a maioria do povo russo concorda inteiramente, vendo com muito maus olhos a expansão da NATO para junto das fronteiras russas, que considera um desafio e uma ameaça. É assim que, enquanto Trump está entretido com a Coreia do Norte e a China, que nunca foi uma potência expansionista, se preocupa apenas em crescer economicamente, a Rússia já ganhou a guerra na Síria e está a rearmar-se com eficácia, tendo nos últimos dias avisado o que acontece aos seus espiões que se queiram passar para o Ocidente.

 

Montefiore refere igualmente que Putin é conhecido entre os seus colaboradores como "o Czar" e que uma vez lhes terá dito que os dois maiores traidores da história russa eram Nicolau II e Gorbatchov. Quando lhe perguntaram porquê, respondeu: "Porque abdicaram. Eu nunca abdicaria". E de facto o novo Czar vai continuar a dirigir os destinos da Rússia por muito tempo. Não se metam com ele.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:13

O título do ano.

Sábado, 17.03.18

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:24

Convites a rejeitar.

Sexta-feira, 16.03.18

Quando Durão Barroso liderava a oposição em Portugal em condições difíceis entendi, juntamente com outras pessoas, manifestar-lhe apoio político. Nessa altura ele encontrava-se completamente cercado, com um António Guterres, que ia de vento em popa no governo, e com o PSD, como é tradicional, dilacerado por uma feroz oposição interna, capitaneada por Santana Lopes. Era, porém, visível que o país estava a caminhar para o desastre e que só uma vitória de Barroso, primeiro no PSD e depois no governo, poderia travar este caminho. E de facto assim aconteceu. Com a vitória do PSD nas autárquicas, Guterres abandonou o governo, reconhecendo a situação pantanosa em que tinha deixado cair o país, e foi possível constituir um governo que teve pela primeira vez como missão controlar o défice.

 

Durão Barroso decidiu, porém, abandonar esse governo na altura mais difícil, deixando o país entregue a Santana Lopes com os resultados que se conhecem. Essa atitude desiludiu-me imenso, pois entendo que não se pode abandonar desta forma o governo do nosso país quando ele mais previsava de nós. Mas apesar disso não deixei de considerar que, estando em causa assumir o cargo mais importante da União Europeia, tinha que se compreender que alguém não resistisse a assumir esse desafio. E, apesar de achar que o seu mandato não foi brilhante, uma vez que deixou reforçar a componente intergovernamental na União Europeia, a verdade é que conseguiu concluir dois mandatos na altura mais difícil que a União atravessou. Por isso, quando saiu da União Europeia podia assumir um estatuto de senador respeitado, leccionar numa Universidade e dar conferências pelo mundo inteiro.

 

Durão Barroso não resisitiu, porém, a ir para a Goldman Sachs, o que é absolutamente impensável face ao estatuto que detinha e que naturalmente lhe acarretará sempre um ataque feroz das instituições comunitárias, destruindo as boas relações com as mesmas. Durão Barroso deveria ter percebido que o seu passado já não lhe permite assumir certas funções. Faz lembrar Gorbatchev quando decidiu fazer um anúncio à Pizzahut depois de ter sido o líder da segunda potência mundial. O respeito dos governantes pelas suas antigas funções implica que certos convites devam ser rejeitados, por muito bem remunerados que sejam.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:33

Democracia à espanhola.

Sexta-feira, 09.03.18

O que se passa presentemente em Espanha devia envergonhar qualquer cidadão europeu. Há largos meses que presos políticos se encontram detidos preventivamente sem culpa formada, sendo por esta via impedidos de exercer os cargos para que foram eleitos pelo povo. E assim se impede um parlamento eleito democraticamente de eleger quem entende para governar a sua região, Enquanto isto um partido que elegeu só quatro deputados vai continuar a governar a Catalunha. Muito democrático, sem sombra de dúvidas. E as instituições europeias queixam-se a Polónia e da Hungria, mas não abrem a boca sobre o que se passa em Espanha. Já há muito que sabe que na União Europeia há Estados mais iguais que outros.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:36

Não, o PSD não pode dormir descansado.

Quarta-feira, 07.03.18

Estou no essencial de acordo com esta análise de Miguel Pinheiro. Estou, porém, frontalmente em desacordo com a sua conclusão. É verdade que o CDS desde sempre viveu num grande equívoco, que é o facto de o partido ter uma base eleitoral colocada claramente à direita, mas ter dirigentes que nunca assumiram esse cariz ideológico e, ou passaram a vida a lutar contra ele, como foi o caso de Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa, ou rapidamente o abandonaram, como foi o caso de Lucas Pires. O CDS viveu sempre com o problema de os seus dirigentes não gostarem do seu eleitorado, e até quererem mudar de eleitorado. Já os eleitores gostavam dos seus dirigentes, mas não percebiam o seu posicionamento político.

 

Foi assim com Freitas do Amaral e Amaro da Costa, que nunca quiseram ligar o CDS à herança do antigo regime, impedindo-o de ter o papel que a Aliança Popular, e depois o PP, teve em Espanha. O CDS apenas assumiu esse papel uma vez, quando votou contra a constituição marxista, o que de facto lhe valeu uma enorme subida eleitoral, mas rapidamente abandonou esse posicionamento, fazendo uma coligação com o PS, coisa que os eleitores de ambos os partidos acharam absolutamente incompreensível. Hoje a história oficial do CDS renega Freitas do Amaral e louva Amaro da Costa, mas a verdade é que o posicionamento dos dois não era distinto, tendo sido até Amaro da Costa o artífice da coligação PS/CDS. Aliás o sonho do CDS na altura, com a denominada teoria das duas bossas, era partir o PSD em dois ou mais partidos, fazendo do CDS e do PS os dois esteios do regime. Isso nunca viria a concretizar-se em virtude de os ministros do CDS terem percebido que era insustentável governarem com o PS e de Sá Carneiro ter conseguido resolver a cisão dos inadiáveis. Foi assim que se formou a AD, como uma coligação de direita reformista, transmitindo uma mensagem clara em que todo o eleitorado do CDS se reviu com entusiasmo. O colapso da AD, com o abandono de Freitas do Amaral, gerou uma surpresa, com a vitória do nacionalismo liberal de Lucas Pires, quando toda a gente esperava a eleição de Luís Barbosa, mais de acordo com a linha tradicional do CDS. Lucas Pires, no entanto, seria derrotado por Cavaco Silva e demitir-se-ia, transitando do nacionalismo liberal para o europeísmo mais convicto. Chegou Adriano Moreira, mas foi incapaz de impedir a maioria de Cavaco Silva, que transformou o CDS no partido do táxi.

 

O CDS entrou então na fase de O Independente, caso em que pela primeira vez um jornal tomou conta de um partido, primeiro com a candidatura presidencial de Basílio Horta, e depois com o lançamento de Manuel Monteiro, em ambos os casos com Paulo Portas na sombra. O CDS assumiu então uma vertente populista e eurocéptica, tendo até mudado de nome para PP, posição que lhe rendeu muitos votos, mas a incapacidade de Manuel Monteiro em gerir o ascendente de Paulo Portas no partido ditou a sua queda. Não deixando de manter algum populismo, Portas fez passar o CDS de eurocéptico a eurocalmo, o que lhe permitiu ascender duas vezes ao governo em coligação com o PSD, com o interregno de Ribeiro e Castro. Hoje já ninguém se lembra do acrescento PP. Mas Portas teve a inteligência de se ir embora, após a formação da geringonça, apostando numa renovação com Assunção Cristas, ao contrário do que erradamente Passos Coelho fez.

 

Assunção Cristas não tem uma posição ideologicamente marcada, tendo sido a meu ver até a Ministra mais à esquerda do governo de Passos Coelho. Isso, porém, não significa que não dê ao eleitorado do PSD um voto de refúgio, em caso de escolhas desastradas de candidatos, como se viu em Lisboa, onde obteve 20% dos votos, o que foi decisivo para a desistência de Passos Coelho. Com isto Assunção Cristas mostrou que a regra de que o CDS não consegue crescer eleitoralmente à custa do PSD já não está em vigor. E por isso, ou o PSD apresenta uma proposta eleitoral clara, e com candidatos credíveis, ou pode obter mais uma derrota. Deixar Cristas a fazer oposição sozinha é um erro que se vai pagar muito caro.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:42





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