Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Convites a rejeitar.

Sexta-feira, 16.03.18

Quando Durão Barroso liderava a oposição em Portugal em condições difíceis entendi, juntamente com outras pessoas, manifestar-lhe apoio político. Nessa altura ele encontrava-se completamente cercado, com um António Guterres, que ia de vento em popa no governo, e com o PSD, como é tradicional, dilacerado por uma feroz oposição interna, capitaneada por Santana Lopes. Era, porém, visível que o país estava a caminhar para o desastre e que só uma vitória de Barroso, primeiro no PSD e depois no governo, poderia travar este caminho. E de facto assim aconteceu. Com a vitória do PSD nas autárquicas, Guterres abandonou o governo, reconhecendo a situação pantanosa em que tinha deixado cair o país, e foi possível constituir um governo que teve pela primeira vez como missão controlar o défice.

 

Durão Barroso decidiu, porém, abandonar esse governo na altura mais difícil, deixando o país entregue a Santana Lopes com os resultados que se conhecem. Essa atitude desiludiu-me imenso, pois entendo que não se pode abandonar desta forma o governo do nosso país quando ele mais previsava de nós. Mas apesar disso não deixei de considerar que, estando em causa assumir o cargo mais importante da União Europeia, tinha que se compreender que alguém não resistisse a assumir esse desafio. E, apesar de achar que o seu mandato não foi brilhante, uma vez que deixou reforçar a componente intergovernamental na União Europeia, a verdade é que conseguiu concluir dois mandatos na altura mais difícil que a União atravessou. Por isso, quando saiu da União Europeia podia assumir um estatuto de senador respeitado, leccionar numa Universidade e dar conferências pelo mundo inteiro.

 

Durão Barroso não resisitiu, porém, a ir para a Goldman Sachs, o que é absolutamente impensável face ao estatuto que detinha e que naturalmente lhe acarretará sempre um ataque feroz das instituições comunitárias, destruindo as boas relações com as mesmas. Durão Barroso deveria ter percebido que o seu passado já não lhe permite assumir certas funções. Faz lembrar Gorbatchev quando decidiu fazer um anúncio à Pizzahut depois de ter sido o líder da segunda potência mundial. O respeito dos governantes pelas suas antigas funções implica que certos convites devam ser rejeitados, por muito bem remunerados que sejam.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 08:33





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Março 2018

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031




comentários recentes

  • João Marcelino

    Depois do que aconteceu na Nova Zelândia, era de e...

  • Manuel da Rocha

    Quando o parlamento vota propostas que se contrapõ...

  • Anónimo

    Ouvi dizer que não é bem assim, que o governo mant...

  • Anónimo

    Só que Sá Carneiro era social-democrata, de centro...

  • Anti-racistas

    Racista de merda. Se queres fazer comentários raci...

  • Hipocrisia

    "Não devia ser permitido opiniões de anónimos é um...

  • Anónimo

    Nos anos 80 era normal entrar num café-bar e, logo...

  • Makiavel

    Ehehehehehe

  • Makiavel

    O país é pequeno. Muito tráfico de influências... ...

  • afonsonunes

    Santana é um lírio! Ele agregou o PSD ao seu proje...




subscrever feeds