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Futebol e política.

Sábado, 23.06.18

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Ainda para aí uma enorme polémica com o facto de, no interessantíssimo jogo Sérvia-Suíça, que os suíços venceram por 2-1, dois jogadores suíços de origem kosovar terem festejado os golos da Suíça fazendo com as mãos o símbolo da águia das duas cabeças, no intuito de insultar a Sérvia. A intenção pode ser essa, mas o acto parece falhado. O símbolo da águia das duas cabeças é extremamente comum e não exclusivo da Albânia. Tendo sido o antigo brazão do Império Bizantino, foi depois adoptado pelo Sacro Império Romano Germânico e pelo Império Russo, constando hoje das bandeiras da Rússia e da própria Sérvia. Por outro lado, os dois jogadores são de origem kosovar, que não tem qualquer águia bicéfala na sua bandeira, embora a esmagadora maioria da população seja albanesa. Se a intenção do gesto era insultar a Sérvia, acho que podia ter sido escolhido um gesto mais elucidativo.

 

Em qualquer caso, acho que o gesto demonstra duas coisas. A primeira é que o conflito dos Balcãs continua bem vivo, como aliás sempre esteve e sempre continuará a estar. Quando lhe sugeriram que a Alemanha interviesse nos Balcãs, Bismarck limitou-se a responder que os Balcãs eram uma terra horrível que não valia o sangue de um único soldado alemão. Imagine-se por isso o que será a União Europeia com a entrada da Sérvia, do estado artificial do Kosovo (onde a população se sente albanesa), da própria Albânia e da Macedónia, agora "do Norte" para não ofender a Grécia. A União Europeia vai passar a ter como membros uma série de países muito amigos. Não admira por isso que o Reino Unido se tenha querido pôr a milhas.

 

A segunda é que a actual configuração dos países europeus como "melting pots" é perturbadora para as suas selecções nacionais. Não consigo conceber que um jogador da Suíça queira festejar com o símbolo da Albânia (ou do Kosovo, ou do que quer que seja), países que nem sequer foram apurados para o Mundial, em lugar de utilizar o símbolo da cruz helvética, que é o país a que pertence e cujas cores é suposto defender. Acho que mais do que um insulto à Sérvia, isto foi um insulto à Suíça. E deveria ser a própria Suíça a punir exemplarmente os seus jogadores por esta triste figura. Se querem reproduzir no futebol o conflito nos Balcãs, vão jogar para os Balcãs.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:52





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