O ataque ao Irão.

Tenho idade suficiente para me lembrar da fuga precipitada do Xá do Irão em Janeiro de 1979 com uma revolução islâmica a explodir no país, que logo a seguir assistiu a uma tomada de reféns na Embaixada dos EUA, um verdadeiro acto de guerra e uma humilhação para a América, que levou à não reeleição de Carter.
Não me espanta por isso que, na sua imensa vaidade, Trump queira agora vingar a humilhação então sofrida e ajustar contas com o Irão, derrubando o seu regime.
Não acredito, porém, em qualquer regresso da monarquia ao Irão. Como disse a Rainha D. Amélia a D. Manuel II, quando a família real portuguesa partiu da Ericeira, do exílio não se regressa. Na verdade, mais valia a família real iraniana ter adoptado em 1979 a posição da Imperatriz Teodora, que disse ao Imperador Justiniano, que pretendia fugir perante uma revolta que então grassava no Império Bizantino: "a púrpura (o manto dos Imperadores) é uma linda mortalha".
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A homenagem a Ramalho Eanes.

Não há português que mereça mais ser homenageado no 10 de Junho do que o General António Ramalho Eanes, hoje com 90 anos de idade de uma vida intensa ao serviço de Portugal.
Tendo feito o serviço militar em África, participou no 25 de Abril e foi o herói do 25 de Novembro, que terminou com as loucuras revolucionárias do PREC, permitindo a aprovação da Constituição por uma Constituinte várias vezes ameaçada pelos revolucionários da extrema-esquerda. Depois foi Presidente da República durante dez anos, sempre eleito com votações apoteóticas.
Mais recentemente recordo a sua entrevista à RTP em Abril de 2020, no período mais terrível da pandemia, onde, então com 85 anos, apelou a que em caso de necessidade não o colocassem num ventilador para permitir que o mesmo pudesse atribuído a um homem de 40 anos com mulher e filhos. A sua coragem serena e o seu exemplo de serviço público foram sempre essenciais para Portugal nas horas mais difíceis.
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Os ataques dos ministros de António Costa a António José Seguro.
Não há nada que mais me divirta do que assistir a antigos ministros de António Costa a atacar a candidatura presidencial de António José Seguro, precisamente o único socialista que até agora teve a coragem de assumir uma candidatura. Isto depois de os governos em que participaram terem conduzido o PS e o país ao abismo em apenas oito anos, enquanto que o seu líder partiu alegremente para um exílio dourado em Bruxelas, o que não o impede de querer condicionar por interpostas pessoas as escolhas do seu partido. É assim que primeiro surge Mariana Vieira da Silva a dizer que há dez anos que não se conhece uma ideia a António José Seguro. Depois vem o seu pai, José Vieira da Silva, a dizer que António José Seguro não tem o perfil desejável para ser apoiado pelo PS. Dá gosto ver uma tão grande convergências de posições entre pai e filha, apesar da diferença de gerações, o que talvez se possa explicar pelo facto de terem estado os dois ao mesmo tempo nos governos de António Costa, situação que causou perplexidade até no Parlamento Europeu. O que cabe perguntar é porque é que nenhum dos dois se candidata à presidência da república ou até a líder do partido, em vez de se manterem como treinadores de bancada. Enquanto o PS continuar neste estado não vai longe.
