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A crise na Catalunha.

Segunda-feira, 01.10.18

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Se alguém julgava que a repressão sobre os independentistas catalães resolvia alguma coisa, hoje descobriu, passado um ano do referendo, que está tudo na mesma ou ainda pior. Enquanto Pablo Casado acha agora que se devem ilegalizar todos os partidos independentistas, o governo de Sánchez já reconhece que a carga policial de há um ano foi um erro e que só o reforço do autogoverno da Catalunha pode resolver a profunda crise territorial, política, económica e social a que a obstinação do governo de Rajoy conduziu a Espanha. Enquanto que em Barcelona se exige a República, o Rei de Espanha evita sequer aparecer em público nestes dias. E perante as aspirações independentistas do povo catalão não vale a pena afirmar que já há muitos habitantes da Catalunha que têm o castelhano como língua materna. Também havia muitos habitantes da Irlanda que tinham o inglês como língua materna e não foi por isso que a Irlanda deixou de ser independente do Reino Unido. O movimento independentista irlandês chamava-se precisamente "Sinn Féin" que significa em irlandês "nós sozinhos". Para qualquer movimento independentista é sempre apenas isso o que está em causa.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 16:56

A vitória de Puigdemont.

Segunda-feira, 02.10.17

Não há hoje qualquer dúvida de que o 1-O representou uma vitória clara da Generalitat sobre o governo de Madrid. Talvez seja exagerado dizer que foi o dia em que a Espanha perdeu a Catalunha, mas não há dúvida que Rajoy conseguiu dar um grande passo nesse sentido. A solução óbvio para qualquer líder sensato era ignorar o referendo, afirmando a sua ilegalidade, mas permitir a sua realização. Rajoy optou, no entanto, por proibir à força o referendo, julgando que iria conseguir impedir a votação. A verdade é que não o conseguiu fazer e deu uma imagem de já não ter qualquer controlo sobre o território catalão. O momento decisivo do dia de ontem foi quando os Mossos de Esquadra se recusaram a encerrrar as assembleias de voto, o que obrigou o Governo Central a recorrer à Guardia Civil, com elementos de fora da Catalunha, que causaram mais de 800 feridos e deram para o exterior a imagem de uma força de ocupação. Agora, num absoluto delírio, parece que se quer processar toda a polícia catalã. Mas a verdade é que, com maior ou menor jogo do gato e do rato, o referendo foi-se realizando, e embora os seus resultados não possam ser considerados credíveis devido ao bloqueio informático realizando pelo governo central, a sua simples realização nessas condições deu uma clara vitória política a Puigdemont.

 

E agora? Nos próximos dias, a Generalitat vai avançar para uma declaração unilateral de independência, e aí o Governo de Madrid ou volta a recorrer à força, suspendendo a autonomia catalã ao abrigo do art. 155 da Constituição, o que não parece que dê grande resultado, face ao que ontem se viu, ou terá que tentar resolver este problema politicamente. E para isso não vale a pena invocar apenasa Constituição de 1978. Em 1978 Espanha aceitou um quadro constitucional de transição para sair do regime franquista, cujos apoiantes ainda eram muito poderosos. Isso viu-se logo três anos depois no 23-F, quando o regime espanhol ia caindo em consequência da actuação dos militares franquistas.

 

Mas passaram quase quarenta anos, Franco já não passa de um fantasma, e o quadro constitucional espanhol não está manifestamente a conseguir resolver os vários conflitos políticos que surgem. O Podemos faz comícios com a bandeira republicana, rejeitando a monarquia, e na Catalunha só se vêem bandeiras independentistas. Mas especialmente os órgãos de soberania de Espanha parecem incapazes de responder politicamente, limitando-se a invocar decisões de tribunais, algumas delas com uma enorme falta de bom senso. No 23-F o Rei Juan Carlos apareceu e conseguiu pôr fim ao golpe. Ontem, quando milhares de catalães eram espancados pela Guardia Civil, com grave lesão da imagem de Espanha no mundo, ninguém viu ou ouviu o Rei Filipe VI. Há silêncios que são de chumbo!

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:09

O dia da votação na Catalunha.

Domingo, 01.10.17

Enormes filas de pessoas que aguardam desde madrugada em Barcelona para exercer ordeiramente o seu direito de voto e impedir que a polícia feche as assembleias. Eu quando vejo uma fila de pessoas a querer votar e polícias a querer apreender as urnas e os boletins de voto, sei muito bem de que lado é que estou. E daqui a pouco também irei votar, feliz por estar num país que há muito conquistou e exerce esse direito sem constrangimentos de qualquer espécie.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:52





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