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Lost in translation.

Sexta-feira, 23.02.18

A escritora argentina María Gainza escreveu um livro que se chama "El Nervio Óptico". Em português chama-se antes "O Nervo Ótico". Quer dizer que, na tradução portuguesa, o título deixou de se referir ao segundo par (II) dos doze pares de nervos cranianos, referente à visão, para se passar a referir antes ao oitavo par (VIII), referente à audição. Aí está como na tradução — ou na (des)ortografia acordista — se consegue deixar o leitor completamente perdido, até sobre a anatomia humana.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 17:42

Com a ortografia eu não brinco.

Quarta-feira, 13.05.15

Parece que hoje é o dia em que tencionam tornar obrigatória a utilização do inenarrável "acordês", que um grupo de ignorantes, que se julgam iluminados, quis impor à força aos portugueses. Pela minha parte tenciono exercer o meu direito de resistência e continuarei a escrever até à morte no português que os meus saudosos professores me ensinaram desde criança. Porque o resultado desta imbecilidade está à vista neste anúncio. O grupo Optivisão agora acha-se "o maior grupo ótico português". Talvez o referido "grupo ótico" devesse saber que, em português, "ótico", como qualquer dicionário lhe pode informar, é respeitante ao ouvido. Se se quiser falar da visão, diz-se antes "óptico". Ora, parece-me que qualquer empresa deveria saber, antes de tudo, a actividade a que se dedica, e não anunciar disparates. De facto, há coisas com que não se brinca.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:49

Ele quer ainda mais selfies?

Quarta-feira, 21.05.14

 

Paulo Rangel exige que Seguro e Assis se retratem. Mas, pelo que tenho visto, eles não têm feito outra coisa.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:40

Não ao acordo ortográfico.

Quinta-feira, 23.02.12

 

Vasco Graça Moura dá aqui uma magnífica lição aos defensores do Acordo Ortográfico, que se têm multiplicado na praça pública a insistir na aplicação de um acordo internacional que não foi ratificado por todos os Estados de língua portuguesa e que por isso não tem a mínima hipótese de conseguir a unificação da ortografia do português, que era o seu objectivo. O resultado do acordo ortográfico será o absurdo de Portugal ir ficar com uma ortografia que mais nenhum país lusófono utiliza. Efectivamente palavras como "exceção", aceção", "conceção", podem surgir escritas em Portugal mas não surgirão no Brasil nem em Angola ou Moçambique. Pergunta-se então para quê um acordo ortográfico que só estimula a divergência de ortografias?

 

O que já se verificou é que, apesar da teimosia de alguns órgãos de comunicação social em implementar esta ortografia, a esmagadora maioria dos colunistas não a aplica. Isso não significará que esta nova ortografia não é desejada? A insistência em fazer aplicar o acordo à força parece corresponder à daqueles meninos cuja boa acção era ajudar a velhinha a atravessar a rua, mesmo quando ela não queria atravessar a rua.

 

Sem desprimor para os argumentos apresentados por José António Saraiva, Henrique Monteiro, e Jorge Bacelar Gouveia, acho que até agora a peça mais elucidativa produzida sobre o acordo ortográfico é este texto de Pedro Santana Lopes. O mesmo, um dos responsáveis pela aprovação do acordo, faz uma acalorada defesa do mesmo, ao mesmo tempo que confessa que não adopta a nova ortografia, porque ainda não o decidiu fazer. Ora, se ele próprio não adopta esta estranha ortografia, porque é que defende que os outros o façam? Suspenda-se mas é este disparate e já.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:17

A liberdade de escrita.

Sexta-feira, 03.02.12

 

Neste país onde tanta gente abdica das suas convicções, apenas por razões de interesse ou porque o respeitinho é muito bonito, louva-se esta atitude de Vasco Graça Moura. Quando se nomeia alguém com o seu prestígio para um cargo público espera-se que continue a defender aquilo em que acredita e não que se limite a acatar directivas exteriores, por mais disparatadas que elas sejam. O acordo ortográfico é o disparate do século e o facto de estar a ser imposto aos portugueses desta forma demonstra bem a falta de espinha que nos caracteriza como povo. Fico perplexo quando leio no Diário da República palavras como "adoção" que me lembra mais "adoçante" do que "adoptante". Querer abolir consoantes mudas, em certos casos quando nem os brasileiros as suprimiram, implica tornar a ortografia do português europeu mais brasileira do que o próprio Brasil. E já se percebeu que em África ninguém vai seguir esta medida, caindo Portugal no puro ridículo de ficar como uma ortografia que ninguém compreende e mais nenhum país lusófono adopta.

 

Infelizmente, no entanto, há Torquemadas que querem impor o acordo à força, mesmo que ninguém o deseje. Por isso, como as "réguadas" nas mãos de antigamente já não estão na moda, agora existem as ferramentas informáticas que conseguem o prodígio de nos obrigarem a escrever da maneira que não queremos. Vasco Graça Moura tomou a atitude correcta de mandar desligar essas ferramentas informáticas que violam a liberdade de escrita dos seus colaboradores. Mas aparecem logo pessoas com uma enorme concepção da liberdade como António José Seguro a dizer que Vasco Graça Moura não está acima da lei. Claro que não. A lei portuguesa obriga os funcionários do CCB a escrever segundo o acordo e ainda os obriga a ter nos seus computadores ferramentas informáticas para não os deixar escrever de outra maneira. Já agora: não quererá António José Seguro mandar aplicar também essas ferramentas informáticas na Casa dos Bicos para garantir que os textos de Saramago passam a ter a pontuação tradicional em vez das vírgulas que tão abundamente utilizava? Afinal de contas, a lei tem que ser igual para todos. E não aplicar o acordo ortográfico é seguramente um crime de lesa-majestade.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 14:49

O desacordo ortográfico

Sexta-feira, 30.09.11

 

Não resisto a entrar nesta polémica. Quando o acordo ortográfico foi assinado, estava previsto que só deveria entrar em vigor quando fosse ratificado por todos os Estados de língua oficial portuguesa. Quando se percebeu que isso não iria acontecer, decidiram os Estados que o ratificaram passar a aplicá-lo após três ratificações: as de Portugal, do Brasil e de Cabo Verde. Em consequência os outros países que falam português continuarão a escrever à moda antiga e a ortografia da língua portuguesa variará totalmente de país para país. Era difícil conceber disparate maior, que conseguisse causar mais dano ao papel da língua portuguesa no mundo.

 

Ao pretender erigir a pronúncia das palavras em critério decisivo, o acordo ortográfico esquece as raízes das palavras e as conexões entre elas, contribuindo para um enorme empobrecimento da nossa língua, para além de estimular a confusão entre palavras distintas. Para além disso, pretendendo seguir a pronúncia, adopta muitas vezes uma ortografia que com ela nada tem a ver.

 

Vejamos em primeiro lugar, a confusão entre palavras distintas. Assim, se "concepção" passar a "conceção", como a distinguimos de "concessão", acto de conceder? Se "recepção" passar a "receção", como distingui-la de "recessão", como a que atravessamos? E há casos de completa indistinção entre palavras diferentes. Um exemplo é "retractar" que, se passar a "retratar", passa a confundir-se com "tirar o retrato". Também "espectador", se passar a "espetador" pode confundir-se com "aquele que espeta".

 

Falemos, em segundo lugar, da perda de ligações entre as palavras: os habitantes do novo "Egito" continuam a ser os "egípcios", não tendo passado a ser os "egitenses".

 

Aponte-se, em terceiro lugar, o esquecimento das raízes das palavras. Muitas vezes na língua portuguesa existem versões erudita e popular da mesma expressão, como "ruptura", a partir do latim "ruptus", e "rotura", a partir do português "roto". Agora inventou-se uma terceira variante: a "rutura". Mas "ruto" não existe em português.

 

E finalmente, estabelece-se por vezes uma ortografia totalmente deslocada da pronúncia: "vêem" passa a "veem", "crêem" a "creem". Esta ortografia terá alguma coisa a ver com a pronúncia destas palavras em português?

 

Claro que os defensores do acordo ortográfico virão argumentar que também deixámos de escrever "pharmácia" e "philosophia". A meu ver, mal. O "ph" permitia descobrir imediatamente a origem grega dessas palavras. Cabe perguntar como é que o inglês conseguiu triunfar no mundo se continua a escrever "pharmacy" e "philosophy"?

 

Se Portugal quer de facto unificar a sua ortografia com o Brasil, diferenciando-se da escrita dos outros países de língua portuguesa, tem uma boa solução: adopte integralmente a norma brasileira. Este disparate é que não faz sentido nenhum.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 15:59





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