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As eleições no Brasil.

Segunda-feira, 08.10.18

Os resultados das eleições brasileiras mostram um país à beira do abismo, com um candidato de extrema-direita radical quase a ser eleito à primeira volta. Isto é um sintoma de uma sociedade em colapso, onde um povo está disposto a trocar a sua liberdade por uma simples promessa de segurança. Mas é verdade que a insegurança no Brasil atingiu o extremo. Estive em São Paulo no fim de Agosto e, quando me levaram a jantar, avisaram-me de que podia estar tranquilo porque o carro era blindado. No dia seguinte de manhã, vi na televisão que um desgraçado que tinha ido de bicicleta comprar pão, como fazia todos os dias, fora morto sem qualquer motivo, apenas por uma bala perdida. Pensei logo que num país que se deixa chegar a este ponto tudo pode acontecer.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:12

# Ele Não?

Segunda-feira, 01.10.18

Acho a estratégia de combate a Bolsonaro que está a ser seguida no Brasil completamente errada. Um slogan de campanha a dizer "ele não" equivale a dizer "todos menos ele", o que dá a entender aos eleitores que nenhum outro candidato é suficientemente bom para lhe disputar a eleição. Isso também aconteceu nos EUA em que o partido democrata, em vez de louvar as qualidades de Hillary Clinton, assentou a campanha nos defeitos de Donald Trump, com o resultado que se viu. Esse é um erro básico de estratégia em qualquer campanha. Como dizem os especialistas, "there's no such thing as bad publicity".

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:25

As eleições no Brasil.

Segunda-feira, 27.08.18

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É difícil uma revista conseguir retratar melhor o sentimento que hoje assola o Brasil. Aqui em São Paulo, onde me desloquei em viagem de trabalho, ninguém tem quaisquer saudades de Dilma Rousseff, que acusam de ter deixado a economia de rastos, embora considerem que Temer trouxe apenas melhorias insignificantes. Quanto a Lula, apesar da sua enorme popularidade, ninguém o dá como possível candidato, mesmo que seja libertado, em virtude da lei da ficha limpa que ele próprio fez aprovar. O seu substituto Fernando Haddad teve um mandato desastroso como prefeito em São Paulo, nem sequer tendo conseguido ser reeleito, pelo que não levará os votos dos apoiantes de Lula, a menos que este se envolva intensamente na campanha dele, para o que teria que ser libertado. Os mercados veriam com bons olhos a eleição de Alckmin, do PSDB mas este não descola nas sondagens e tem o maior índice de rejeição dos candidatos. Quanto a Bolsonaro, espera na sombra, nem sequer se dando ao trabalho de ir aos debates, esperando ser eleito da mesma forma que Collor o foi em 1989, como um tiro no escuro por parte daqueles que não queriam ver Lula na presidência, e que deu o resultado que se sabe. Mas, nesta eleição, aqueles que votarem não estarão iludidos, sendo o pavor e a rejeição que vão ditar as escolhas do eleitorado, que bem pode dar um grito nas urnas. "Les jeux son faits".

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:52

Bye Bye Brasil.

Sábado, 07.07.18

Bye Bye Brasil. Foi uma pena, uma vez que depois da desilusão do Mundial passado, esperava ter visto este ano um Brasil na sua melhor forma. Mas há que reconhecer que não foi o caso. O futebol praticado não foi convicente e a equipa parecia apostar toda na fama de Neymar, a meu ver totalmente injustificada. Aliás, não percebo como é que o PSG pagou 200 milhões por um jogador cuja maior especialidade são as simulações e as fitas em campo. Perante um adversário temível, como a Bélgica já tinha demonstrado que seria, depois da reviravolta no jogo com o Japão, o Brasil não soube jogar com o dinamismo e a concentração adequadas. Bastou um autogolo inicial e a equipa já não foi capaz de dar a volta ao resultado. Esperemos que no Qatar as coisas fiquem melhores, mas para isso é manifesto que a equipa tem que ser outra. É preciso uma revolução total na selecção brasileira, a começar já.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:07

"Tem que manter isso, viu?"

Quinta-feira, 18.05.17

 

Há alturas em que um país entra numa deriva total, com um simples processo judicial. Aconteceu em Itália com a operação mãos limpas e agora corre o risco de acontecer no Brasil com a queda total dos actuais políticos brasileiros. Depois de Lula ter sido envolvido na Lava-Jato, e de Dilma ter sido destituída, agora surge a gravíssima acusação de compra do silêncio de Eduardo Cunha na prisão por parte do presidente Michel Temer e de Aécio Neves, sendo o Presidente apanhado a incentivar essa atitude. A reacção do Congresso Brasileiro demonstra bem um país à beira do colapso. Isto não vai acabar bem. 

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:02

O descalabro de um governo (3).

Quinta-feira, 17.03.16

No post anterior escrevi que Lula ia ter uma grande desilusão. Já a está a ter. Era de prever que este esquema inventado pela Presidente do Brasil fosse acabar mal. Qualquer jurista vê nisto um caso óbvio de desvio de poder e de obstrução à justiça. E embora a nomeação de um Ministro seja um acto político, é manifesto que a mesma não pode ser usada para quebrar o princípio do juiz natural, subtraindo uma causa já atribuída ao juiz que detém o processo. Balzac percebeu isso muito bem no seu romance Splendeurs et Misères des Courtisanes quando criou a personagem do juiz de instrução Camusot, de quem se dizia que era a pessoa mais poderosa da França, uma vez que nem o Rei poderia interferir nos seus processos.

 

O que está a passar-se agora no Brasil já ocorreu nos Estados Unidos aquando da presidência de Nixon. Aí também havia uma investigação judicial que envolvia o Presidente e que este tentou obstruir. E também havia gravações de conversas do Presidente, que provavam a sua intervenção no Watergate, e que este se recusou a entregar à Justiça, apesar de demandado pelo procurador. A obstrução foi de tal ordem que o Presidente demitiu o procurador que o estava a investigar, criando uma crise constitucional sem precedentes nos Estados Unidos, o que levou a Câmara de Representantes a iniciar o processo de impeachment. O Presidente acabou por se demitir quando o Supremo Tribunal o mandou entregar todas as gravações. Ainda tentou resistir mas explicaram-lhe que se há coisa que os americanos aprenderam é que ninguém desobedece ao Supremo Tribunal. Na América não há poder político mais forte do que o poder da Lei.

 

O Brasil está neste momento numa encruzilhada. Ou adopta o exemplo dos Estados Unidos e o governo submete-se à lei, aceitando a investigação judicial, envolva quem envolver, ou passa a adoptar o sistema de governo da Venezuela de Hugo Chavez e parte para um golpe de Estado que destrói as instituições democráticas. Confesso que depois de ouvir Dilma dizer que "os golpes começam assim" fiquei a recear o pior.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:01

O descalabro de um governo.

Quarta-feira, 16.03.16

O que se está a assistir no Brasil é ao descalabro total do governo de Dilma Rousseff. Não há memória de se assistir num país a tantos e tão sucessivos escândalos de corrupção, com o governo praticamente cercado pela justiça, em função das sucessivas acusações que vão surgindo.

 

Há muito que tenho defendido que os governantes com problemas com a justiça devem abandonar imediatamente os seus cargos. Não está em causa a sua presunção de inocência, mas o facto de que não podem tornar o governo refém de uma investigação judicial. A necessidade de preservar as instituições é muito mais importante do que o caso pessoal de alguém, por muito injustas que sejam as acusações.

 

No Brasil inventou-se agora uma novidade. Chamar o ex-presidente Lula ao governo, apenas para lhe dar imunidade perante a justiça. O anúncio é tão escandaloso que até foi adiado perante uma nova investigação judicial agora descoberta. Em qualquer caso, isto representa o grau zero de um regime. Colocar as instituições ao serviço pessoal dos políticos e formar um governo apenas para dificultar a acção da justiça.

 

A falta de sensatez política que isto representa é absolutamente impressionante. Não me parece que o governo de Dilma consiga sobreviver a uma jogada política desta natureza. Esperemos é que o regime democrático brasileiro não caia com ele.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:17





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