Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Aplauso.

Sábado, 16.03.19

cataluna.jpg

Para este corajoso texto de Pacheco Pereira, a denunciar a vergonha que se está a passar aqui ao lado e em relação à qual a Europa pretende fechar os olhos:

"Em que países da Europa é que seria hoje possível fazer um processo por “sedição”? Dois: ­a Rússia e a Espanha. Neste momento estão a ser julgados em Madrid um conjunto de dirigentes políticos catalães eleitos, com funções na Catalunha durante o movimento pela independência, por “rebelião, sedição e peculato”. A acusação de “peculato” é ridícula, destina-se apenas ao esfregar das mãos dos seus adversários, dizendo que eles “roubaram” alguma coisa, quando a acusação diz respeito ao uso de dinheiros públicos, geridos pelo governo legítimo da Catalunha, para organizar os processos de referendo. Aliás, os argumentos jurídicos são a maneira neste caso de deixarmos de ver o essencial: estes homens foram eleitos para fazerem o que fizeram, contam com o apoio dos catalães e conduziram um processo pacífico destinado a garantir a independência da região da Catalunha, algo que não é alheio a direitos e garantias do próprio estatuto catalão e dos compromissos para a sua revisão. É um processo político puro, e os presos catalães são presos políticos puros.

A outra coisa do domínio do político é o silêncio cúmplice de toda a União Europeia, que não mexe uma palha perante o que se está a passar em Madrid, onde a comunicação social se comporta como partidária do “espanholismo” mais radical e mobiliza os seus leitores, ouvintes e telespectadores para exigirem a condenação dos catalães, como se de criminosos de delito comum se tratassem. Este silêncio cúmplice é mais uma pedra no abandono de valores da União, que se mobiliza para todas as causas longínquas e oculta as que estão bem dentro dela".

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 12:29

A Catalunha paga.

Quinta-feira, 13.12.18

LV_20150916_LV_FOTOS_D_54435300852-992x558@LaVangu

Sempre que vejo esta qualificação de Espanha como um país rico, penso sempre que são os catalães, a quem recusam a independência, a pagar a conta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 17:21

A crise na Catalunha.

Segunda-feira, 01.10.18

735035_img650x420_img650x420_crop.jpg

Se alguém julgava que a repressão sobre os independentistas catalães resolvia alguma coisa, hoje descobriu, passado um ano do referendo, que está tudo na mesma ou ainda pior. Enquanto Pablo Casado acha agora que se devem ilegalizar todos os partidos independentistas, o governo de Sánchez já reconhece que a carga policial de há um ano foi um erro e que só o reforço do autogoverno da Catalunha pode resolver a profunda crise territorial, política, económica e social a que a obstinação do governo de Rajoy conduziu a Espanha. Enquanto que em Barcelona se exige a República, o Rei de Espanha evita sequer aparecer em público nestes dias. E perante as aspirações independentistas do povo catalão não vale a pena afirmar que já há muitos habitantes da Catalunha que têm o castelhano como língua materna. Também havia muitos habitantes da Irlanda que tinham o inglês como língua materna e não foi por isso que a Irlanda deixou de ser independente do Reino Unido. O movimento independentista irlandês chamava-se precisamente "Sinn Féin" que significa em irlandês "nós sozinhos". Para qualquer movimento independentista é sempre apenas isso o que está em causa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 16:56

Eu não.

Terça-feira, 22.05.18

Há muito que acho que a situação na Catalunha ultrapassa tudo o que é admissível num Estado democrático. Governantes e deputados que se limitaram a executar o programa com base no qual foram eleitos encontram-se presos preventivamente há largos meses, como se fossem meros arruaceiros que invadiram a academia de Alcochete. O presidente da Generalitat, que obteve a maioria no parlamento, encontra-se alvo de um mandato de detenção internacional e não lhe permitiram tomar posse. Aceitaram depois dar posse a um substituto, mas depois não o deixam formar governo, pretendendo manter o art. 155, que consagra um estado de excepção, eternamente em vigor. Em Portugal há gente que procura olhar para o lado e ignorar tudo o que se está a passar, incluindo o Presidente da República que vai a Salamanca falar da "Espanha una e eterna", parecendo querer retomar a divisa franquista "Una, Grande y Libre!",  e não diz uma palavra sobre pessoas que neste momento em Espanha estão presas ou exiladas apenas pelas suas convicções políticas. Não é o meu caso. Prefiro seguir outra divisa: "Etiam si omnes, ego non". O que penso sobre a situação na Catalunha escrevi-o hoje aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 17:24

Um gesto simbólico.

Terça-feira, 17.04.18

-1.jpeg

Foi um gesto altamente simbólico os deputados catalães terem cantado a Grândola, Vila Morena, no Parlamento Espanhol aquando da visita de Marcelo. E ainda mais simbólico foi o facto de os deputados espanhóis terem feito barulho para abafar o som da canção. Na Catalunha há muitos que querem a liberdade de decidir o seu destino, enquanto que outros procuram calar a sua voz. Mas da mesma forma que no Portugal de 1974, a Grândola Vila Morena cantada pelos catalães é um hino à liberdade que nenhuma repressão conseguirá silenciar.

 

Quanto ao resto, é irrelevante que o partido que começou por ser Ciutadans e agora se converteu em Ciudadanos, para demonstrar que de catalão afinal não tem nada, esteja à frente das sondagens em Espanha. No parlamento da Catalunha há uma maioria independentista a quem está a ser negada a possibilidade de formar governo com a sistemática prisão dos deputados eleitos pelo povo, com base em acusações ridículas que em toda a Europa têm sido completamente rechaçadas pelos tribunais.

 

Os catalães têm o direito a decidir pela autodeterminação da sua região e não é toda a Espanha que pode decidir por eles, assim como não foi toda a URSS que votou a independência da Estónia ou toda a Jugoslávia que votou a independência da Eslovénia. Se acham que há menos de metade do eleitorado da Catalunha a favor da independência, nada mais simples do que fazer um referendo e tirar as dúvidas. E não vale a pena inventar ficções como a Tabárnia ou dizer que os políticos que estão na prisão pelas suas convicções não são presos políticos. Resolva-se a questão catalã num referendo como se fez na Escócia e no Quebeque, em ambos os casos contra a independência. Assim como está é que não pode ficar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 19:16

Um momento de humor.

Quarta-feira, 04.04.18

Perante tanta polémica, neste blogue e não só, sobre a situação na Catalunha, não resisto a partilhar este cartoon. Como diziam os romanos, "ridendo castigat mores".

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 07:12

A repressão na Catalunha.

Sexta-feira, 23.03.18
Resultado de imagem para repressão Catalunha

 

A atitude de Espanha em relação à Catalunha constitui um exemplo típico de repressão, que deveria envergonhar qualquer cidadão europeu. Mas infelizmente as instituição europeias fartam-se de denunciar a repressão na Turquia e na Rússia, mas fecham os olhos ao que se passa em Espanha. Fizeram-se eleições, mas não se deixam os eleitos formar um governo, sendo convenientemente presos na véspera da investidura parlamentar. Se não quiserem ser presos, resta-lhes o exílio, uma vez que os órgãos judiciais espanhóis nem sequer se atrevem a pedir a sua extradição, dado que a maioria dos Estados não extradita por delitos políticos. Provavelmente a ideia é colocar na prisão ou no exílio todos aqueles que têm ideais independentistas, o que implica prender por delito de opinião. Como é que se pode aceitar isto num país da União Europeia em pleno século XXI?

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 19:14

Democracia à espanhola.

Sexta-feira, 09.03.18

O que se passa presentemente em Espanha devia envergonhar qualquer cidadão europeu. Há largos meses que presos políticos se encontram detidos preventivamente sem culpa formada, sendo por esta via impedidos de exercer os cargos para que foram eleitos pelo povo. E assim se impede um parlamento eleito democraticamente de eleger quem entende para governar a sua região, Enquanto isto um partido que elegeu só quatro deputados vai continuar a governar a Catalunha. Muito democrático, sem sombra de dúvidas. E as instituições europeias queixam-se a Polónia e da Hungria, mas não abrem a boca sobre o que se passa em Espanha. Já há muito que sabe que na União Europeia há Estados mais iguais que outros.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 18:36

Não é Kennedy quem quer.

Domingo, 11.02.18

Um dos factos que mais marcou a ascensão de John F. Kennedy a presidente dos Estados Unidos foi a sua defesa intransigente da independência da Argélia. Num discurso de 2 de Julho de 1957, o jovem senador do Massachussets defendeu perante o senado que a atitude dos Estados Unidos perante a questão da Argélia se caracterizava pelo abandono dos princípios da independência e do anticolonialismo, que não se podia justificar nem por amabilidades diplomáticas, nem por subtilezas jurídicas, nem mesmo por considerações estratégicas. Os Estados Unidos, que tinham nascido de uma revolução política, deveriam ganhar o respeito e a amizade dos líderes nacionalistas.

 

A mesma consideração deveria aplicar-se a Portugal, que obteve a independência contra o domínio espanhol, e por isso não deveria deixar de se mostrar solidário com a situação da Catalunha, onde políticos se encontram presos pelas suas convicções e onde um parlamento democrático está impedido de eleger como presidente do governo o líder que escolheu. António Costa tinha possibilidade de marcar alguns pontos nesta questão, mas preferiu as amabilidades diplomáticas e as considerações estratégicas aos princípios. Está visto que não é Kennedy quem quer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 18:01

Democracia espanhola.

Terça-feira, 23.01.18

Agora vem o Ministro do Interior espanhol dizer que Espanha vai vigiar as fronteiras para assegurar que Puigdemont, já aceite pelo Parlament da Catalunha como candidato a Presidente da Generalitat, não possa entrar em Espanha nem na mala de um automóvel. Nunca se viu maior desrespeito pelo voto eleitoral e pela decisão soberana de um parlamento eleito, como o que agora está a acontecer em Espanha. Uns poderão virar a cara para o lado e outros até aplaudir. Para mim, é pura e simplesmente chocante que isto aconteça num país europeu.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 17:46





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Setembro 2019

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930




comentários recentes

  • Anónimo

    Já reservar umas tantas vagas para estrangeiros qu...

  • Anónimo

    MRS é constitucionalista, professor catedrático. T...

  • Sarin

    Há uns meses largos, talvez anos, não percebia mui...

  • Anónimo

    "quando existe um ataque desta ordem por parte de ...

  • João Marcelino

    Depois do que aconteceu na Nova Zelândia, era de e...

  • Manuel da Rocha

    Quando o parlamento vota propostas que se contrapõ...

  • Anónimo

    Ouvi dizer que não é bem assim, que o governo mant...

  • Anónimo

    Só que Sá Carneiro era social-democrata, de centro...

  • Anti-racistas

    Racista de merda. Se queres fazer comentários raci...

  • Hipocrisia

    "Não devia ser permitido opiniões de anónimos é um...