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As eleições no Brasil.

Segunda-feira, 08.10.18

Os resultados das eleições brasileiras mostram um país à beira do abismo, com um candidato de extrema-direita radical quase a ser eleito à primeira volta. Isto é um sintoma de uma sociedade em colapso, onde um povo está disposto a trocar a sua liberdade por uma simples promessa de segurança. Mas é verdade que a insegurança no Brasil atingiu o extremo. Estive em São Paulo no fim de Agosto e, quando me levaram a jantar, avisaram-me de que podia estar tranquilo porque o carro era blindado. No dia seguinte de manhã, vi na televisão que um desgraçado que tinha ido de bicicleta comprar pão, como fazia todos os dias, fora morto sem qualquer motivo, apenas por uma bala perdida. Pensei logo que num país que se deixa chegar a este ponto tudo pode acontecer.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:12

Eleições à vista?

Domingo, 30.09.18

Ontem foi Jerónimo de Sousa a dizer que era preciso um novo governo. Hoje é Catarina Martins a ameaçar votar contra o orçamento, a menos que Costa cumpra uma exigência impossível de cumprir. Parece manifesto que os queridos parceiros da geringonça já querem abandonar rapidamente este barco. Resta agora saber se Rui Rio vai querer assumir-se como muleta deste governo ou dá a Costa o destino que a sua votação eleitoral em 2015 lhe deveria ter traçado desde o início. Mas com as constantes demissões que a sua estratégia de ligação ao PS está a causar no PSD, não me parece que Rui Rio tenha grande alternativa. Está hoje na mesma posição de Passos Coelho, que também apostou inicialmente na colaboração com Sócrates, e a quem disseram que ou havia eleições no país ou havia eleições no partido. Claro que as eleições no país neste momento podem ser um maná para António Costa, que seguramente não deseja outra coisa, e uma tragédia para os restantes partidos. Só que é uma tragédia inevitável. Marcello Caetano, também ele uma personagem trágica, disse uma vez que é um erro pensar que se pode deixar de ir a Alcácer-Quibir. O destino está escrito nos astros.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 13:11

Eleições já.

Sexta-feira, 14.09.18


Também já tinha pensado nesta possibilidade. A atitude negocial de António Costa neste momento parece ser a de quem quer eleições já, o que faz todo o sentido. As sondagens dão-no próximo da maioria absoluta, o Bloco está ferido de morte e o PCP não passa da cepa torta onde sempre esteve. Já o PSD desistiu de fazer oposição e o CDS é pequeno demais para o incomodar. Antecipar eleições para agora é por isso o ideal, ainda mais quando estão a surgir no horizonte sinais de crise económica, o que leva a pensar que daqui a um ano a situação possa já não estar tão favorável para o governo.

 



O cenário parece ser assim a não aceitação das exigências comunistas e bloquistas no orçamento, colocando os parceiros da geringonça na alternativa de engolirem esse sapo ou irem para eleições, as quais só o PS deseja. No estado em que esses partidos estão, o mais provável é que acabem por engolir o sapo, ou até mesmo um elefante se ele surgir no orçamento.

 



Mas, se por acaso algum destes partidos rejeitar o orçamento, é manifesto que o PSD não pode substituí-los no apoio ao PS, votando favoravelmente o orçamento. Por muito más que sejam as actuais condições políticas para disputar eleições, o PSD não se pode transformar numa muleta do PS, o que seria mortífero para o partido, deixando este de ser encarado como alternativa e ficando a ser frito em lume brando durante um ano num limbo em que não seria governo nem oposição. Se António Costa fizer esse jogo de poker e o PCP e o BE pagarem para ver, o PSD não tem outra possibilidade senão fazer o mesmo. Apostar no confusionismo político é que não.


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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:40

As eleições no Brasil.

Segunda-feira, 27.08.18

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É difícil uma revista conseguir retratar melhor o sentimento que hoje assola o Brasil. Aqui em São Paulo, onde me desloquei em viagem de trabalho, ninguém tem quaisquer saudades de Dilma Rousseff, que acusam de ter deixado a economia de rastos, embora considerem que Temer trouxe apenas melhorias insignificantes. Quanto a Lula, apesar da sua enorme popularidade, ninguém o dá como possível candidato, mesmo que seja libertado, em virtude da lei da ficha limpa que ele próprio fez aprovar. O seu substituto Fernando Haddad teve um mandato desastroso como prefeito em São Paulo, nem sequer tendo conseguido ser reeleito, pelo que não levará os votos dos apoiantes de Lula, a menos que este se envolva intensamente na campanha dele, para o que teria que ser libertado. Os mercados veriam com bons olhos a eleição de Alckmin, do PSDB mas este não descola nas sondagens e tem o maior índice de rejeição dos candidatos. Quanto a Bolsonaro, espera na sombra, nem sequer se dando ao trabalho de ir aos debates, esperando ser eleito da mesma forma que Collor o foi em 1989, como um tiro no escuro por parte daqueles que não queriam ver Lula na presidência, e que deu o resultado que se sabe. Mas, nesta eleição, aqueles que votarem não estarão iludidos, sendo o pavor e a rejeição que vão ditar as escolhas do eleitorado, que bem pode dar um grito nas urnas. "Les jeux son faits".

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publicado por Luís Menezes Leitão às 18:52

Vão ser umas eleições muito interessantes.

Terça-feira, 31.10.17

Sondagens recentes:

 

Os partidos independentistas voltariam a ter maioria no Parlamento da Catalunha.

 

Sim à independência sobe 7 pontos desde Junho passado.

 

Vamos ver quantas vezes Rajoy vai ter que invocar o art. 155 para voltar a ter eleições na Catalunha. É provável que se torne um hábito.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 14:14

Jogar e perder.

Sexta-feira, 09.06.17

Não há jogadas seguras em política. Uma eleição nunca está garantida, pois depende de factores imprevisíveis, como na teoria do caos em que a borboleta que bate as asas em Pequim provoca um temporal em Nova Iorque.

 

Theresa May, perante as dificuldades políticas do Labour de Jeremy Corbyn, julgou que poderia calmamente convocar eleições, e ter uma maioria que lhe garantisse um mandato forte para as negociações de um "hard Brexit". Mas a verdade é que não se pode vender a pele do urso antes de o ter morto, e Corbyn revelou-se um osso muito duro de roer na campanha, apostando em cumprir o slogan que imediatamente surgiu: "Let's make June the end of May". Por outro lado, Theresa May mostrou uma absoluta incompetência política, ameaçando os ingleses com mais impostos, como o "imposto sobre a demência", a fazer lembrar o poll tax que precisamente deitou abaixo Thatcher. Desde Mondale que se sabe que em eleições não se anunciam novos impostos e ponto final.

 

E agora? Dificilmente May continuará a liderar o governo, e mesmo que os conservadores continuem no poder, o Brexit pode tornar-se tão soft que ninguém dê por ele. E nem é de excluir a hipótese de Corbyn conseguir imitar António Costa e montar uma geringonça no Reino Unido, para fazer também as reversões prometidas, como a renacionalização dos transportes. Aconteça o que acontecer, o Reino Unido está metido num grande sarilho. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:32

Um grande sarilho.

Sábado, 19.09.15

Ontem houve sondagens para todos os gostos. Pedro Magalhães fez aqui o favor de tirar a média do que tudo isto pode significar. O exercício é útil, mas não me parece totalmente decisivo, uma vez que houve uma claríssima inflexão nos últimos dias, em que António Costa passou num ápice de vencedor claro a derrotado colossal. Mas, mesmo partindo desse exercício, as perspectivas são sempre más para o PS e péssimas para o país.

 

A primeira análise a fazer é que o PS continua em queda, sem que no entanto a coligação suba. Isso só pode significar que está a haver uma sangria dos votos do PS para o Bloco de Esquerda, enquanto que a CDU se mantém estável. Devo dizer que é um resultado que não me espanta, depois da vitória clara de Catarina Martins no debate com António Costa. Se isso ocorrer, a estratégia do PS sai derrotada em toda a linha, uma vez que António Costa decidiu colocar o partido totalmente à esquerda, alinhando até num apoio frentista a Sampaio da Nóvoa, e alienando com isso o eleitorado do centro, para afinal não conseguir conquistar qualquer voto útil à esquerda. Parece-me, aliás, que António Costa já desistiu do eleitorado do centro, razão pela qual agora se concentra num discurso cada vez mais radical, a ver se consegue estancar essa fuga dos eleitores de esquerda. A inenarrável proposta de não viabilização do orçamento de Estado, impensável em qualquer candidato a primeiro-ministro com um mínimo de credibilidade, é bem o sintoma desse desespero.

 

A outra conclusão que todas as sondagens dão é que, mesmo que o PS tenha maior número de votos, a coligação vai ter mais deputados. Esse é um fenómeno resultante da distribuição do eleitorado pelos círculos, que provoca essas distorções. Muitas vezes a UDP elegeu um deputado, tendo menos votos do que o MRPP, ao contrário deste, porque ele dispersava os seus votos pelo país, enquanto que a UDP os concentrava em Lisboa. Cavaco diz que nesse caso convidará para formar governo quem tenha mais deputados, o que parece constitucionalmente correcto. Só que, se Costa não viabiliza o orçamento, também não viabiliza um governo minoritário da coligação, pelo que este não passará no parlamento, uma vez que tem garantido, não apenas o chumbo do PS, mas também da CDU e do BE. E também estaria excluído um governo de coligação PAF + PS, até porque neste caso seria Passos Coelho o primeiro-ministro, o que Costa nunca aceitaria.

 

Neste caso, excluindo do governo a coligação PAF, a sondagem do Expresso diz que só haveria maioria com um governo PS + CDU, o que nenhum dos dois partidos quer. Já um governo minoritário do PS, tendo a coligação mais deputados, só poderia passar no parlamento se fosse viabilizado pela própria CDU, o que o tornaria dependente do apoio de Jerónimo de Sousa para toda e qualquer medida, incluindo qualquer exigência de disciplina orçamental por parte da União Europeia. Jerónimo de Sousa bem pode dizer que nesse caso não teria o futuro do governo PS nas mãos, que eu digo que o teria totalmente no bolso.

 

Se o que as sondagens dizem estiver correcto, o país acordará no dia 5 de Outubro num cenário de verdadeira catástrofe. O parlamento não terá quaisquer perspectivas de gerar um governo estável, nem sequer de aprovar um orçamento, com a agravante de não poder ser dissolvido durante seis meses. O governo estará em funções de gestão, sendo substituído provavelmente por sucessivos governos à direita e à esquerda, que cairão no parlamento à primeira oportunidade. O presidente aguardará pelo fim do seu mandato sem nada poder fazer. Com um país ingovernável nestes termos, não me espantaria que um novo resgate surgisse ao virar da esquina.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:17

O vencedor antecipado.

Sábado, 24.08.13

 

 

Não tenho dúvidas que com esta campanha Luís Filipe Menezes vai ganhar estrondosamente as eleições para a Câmara do Porto. Tal como Valentim Loureiro ganhou há muitos anos as eleições em Gondomar a distribuir televisões e frigoríficos. Infelizmente em Portugal os eleitores adoram ser comprados, pelo que esta história há-de repetir-se sempre. Não sabem é que a factura vai chegar depois e será paga por todos os munícipes do Porto, da mesma forma que os contribuintes nacionais estão a pagar a factura de anos de despesismo irresponsável no governo. Não há almoços grátis.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:10

Isto está muito perigoso.

Domingo, 17.04.11

Os resultados das eleições finlandesas são um verdadeiro balde de água fria para o projecto europeu. Na verdade, os nossos queridos amigos finlandeses votaram esmagadoramente num partido xenófobo, que fez do ataque a Portugal o seu programa principal. E os Verdadeiros Finlandeses subiram em consequência de 5 lugares para 39, quase multiplicando por 8 o seu grupo parlamentar. É verdade que ficaram em terceiro lugar, mas perante a proximidade dos quatro maiores partidos é manifesto que se tornaram decisivos na política finlandesa. 

 

Na França, Marine Le Pen, apresentando um discurso xenófobo, vai igualmente de vento em popa, sendo que todas as sondagens a dão na segunda volta das presidenciais. Por esse motivo, o Governo francês parece desnorteado, primeiro decidindo, em clara violação dos Tratados Europeus, encerrar a circulação ferroviária com a Itália, para depois a retomar logo que surge uma manifestação de protesto.

 

E perante isto as instituições europeias não se mostram capazes de defender os Tratados e muito menos de assegurar a coesão entre os cidadãos europeus. Como bem salienta abaixo o António Figueira, é absolutamente espantoso que a proposta do FMI seja melhor para Portugal do que a proposta da Comissão. A única conclusão a retirar disto é que as instituições comunitárias andam a reboque de alguns Estados-Membros, deixando assim de defender o interesse geral da União.

 

Não admira por isso que em Portugal se multipliquem declarações a apelar à "greve à democracia" e ao "retorno ao sonho do PREC". São declarações absolutamente irresponsáveis, mas podem causar enormes danos à credibilidade do sistema político. Os eleitores podem de facto começar a perguntar-se de que servem as eleições em Portugal se o facto de terem ou não ajuda externa está é dependente do voto dos eleitores finlandeses. Ou as instituições, tanto europeias como portuguesas, começam efectivamente a olhar para esta situação ou arriscamo-nos a entrar num terreno muito perigoso.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 23:12

Conversa oca.

Sábado, 12.02.11

Infelizmente neste país a culpa morre sempre solteira e os nossos governantes têm uma patente falta de sentido de responsabilidade. Em qualquer país democrático nenhum governante poderia continuar em funções depois de ter ocorrido uma perturbação nas eleições sob a sua responsabilidade como a que ocorreu no passado dia 23 de Janeiro. Mas entre nós o Ministro da Administração Interna, em lugar de assumir imediatamente as suas responsabilidades, resolve gastar o dinheiro dos contribuintes a encomendar um estudo à Universidade do Minho que, como se esperava, lhe diz o que já toda a gente sabia. Depois, resolve atirar a responsabilidade para um Director-Geral oportunamente demitido, como se coubesse aos Directores-Gerais assumir a responsabilidade pela condução da política governamental. E em seguida vai candidamente ao Parlamento limitar-se a entregar o referido estudo aos deputados, como se o mesmo pudesse elidir as suas responsabilidades. Confrontado com o óbvio pedido dos deputados para que se demita, responde que defende uma "ética da responsabilidade" mas não uma "responsabilidade sem ética". O que é que isto quer dizer? Será ético que um Ministro não assuma a responsabilidade pelo facto de o seu Ministério não ter conseguido assegurar uma função tão essencial como realizar um acto eleitoral sem perturbações, as quais ocorrem pela primeira vez desde 1975? Será ético que o Ministro atire essa responsabilidade política para um Director-Geral seu subordinado? E depois vem o Ministro dizer que os pedidos para que se demita são "conversa oca". O Senhor Ministro deveria ver-se ao espelho.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:29





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