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A eleição dos desconhecidos.

Sexta-feira, 24.05.19

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O primeiro número do Expresso, saído em Janeiro de 1973, informava que 63% dos portugueses nunca tinham votado. Era a demonstração cabal de como os portugueses encaravam a farsa que eram as eleições no Estado Novo. Agora, nas vésperas de uma eleição para o Parlamento Europeu, o Expresso informa que 69% dos portugueses não sabem o nome de nenhum eurodeputado. É a demonstração cabal de como os nossos eurodeputados andam afastados dos eleitores. Na verdade, a esmagadora maioria limita-se a fazer campanha aqui no burgo de cinco em cinco anos, para depois rumarem a Bruxelas para um longo mandato, durante o qual não se ouve falar deles. Deve ser por isso que nesta campanha só se falou de política nacional. A política europeia está longe e, se ninguém sequer conhece as personagens, como é que pode perceber o enredo da história? Depois admirem-se com a abstenção.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:42

Zapping.

Terça-feira, 21.05.19

Ontem estava a passar na RTP um debate entre os principais candidatos às eleições europeias. Achei esse debate tão maçador que mudei imediatamente de canal, passando a assistir a um filme sobre um comboio desgovernado. Fiquei a pensar que esse canal tinha decidido apresentar uma metáfora sobre a forma como estão a decorrer estas eleições em Portugal e na Europa.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 16:29

O bocejo das europeias.

Quarta-feira, 13.02.19

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A capacidade de renovação da nossa classe política é demonstrada pelas listas ao Parlamento Europeu.

O PSD apresenta novamente como cabeça-de-lista Paulo Rangel, repetindo o mesmo candidato de 2009 e 2014. Para que a lista tenha algum sangue novo é-lhe acrescentado Mota Amaral, um neófito nestas andanças, embora tenha tido a experiência de ter integrado o Parlamento nacional desde a ala liberal de Marcello Caetano. O CDS apresenta outra vez Nuno Melo, como já tinha apresentado em 2009 e 2014. Quanto ao PCP e ao Bloco reincidem respectivamente em João Ferreira e Marisa Matias, que já tinham sido cabeças-de-lista em 2014, mas que estão no Parlamento Europeu desde 2009. Como o cargo de deputado europeu não deve exigir muito tempo, ainda tiveram possibilidade de, durante este mandato, se candidatarem a outras eleições, Marisa Matias à Presidência da República, e João Ferreira à Câmara Municipal de Lisboa. Este último, aliás, consegue a proeza de acumular o cargo de deputado europeu em Bruxelas e Estraburgo com o de vereador em Lisboa, demonstrando a facilidade com que se podem exercer em simultâneo dois cargos públicos com 2000 km de distância entre eles.

O único partido a efectuar uma renovação das suas listas é o PS, mas bem se compreende porquê. António Costa não perdoa a qualquer desalinhado e Francisco Assis, por muito tímidas que tenham sido as suas divergências,  não se mostrou apoiante da geringonça montada pelo querido líder. É por isso o único a receber guia de marcha de volta à paróquia.

De qualquer forma o povo português já sabe para que é que servem as eleições europeias. Destinam-se a eleger 21 deputados, que irão regiamente pagos para um parlamento com poderes extremamente reduzidos e onde raramente estão. É natural por isso que as listas se mantenham imutáveis, pois deve haver muitos poucos candidatos para tão grande sacrifício. Daqui resulta que as europeias vão ser um bocejo monumental para os portugueses.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 11:47

Um país sem soberania.

Quinta-feira, 20.03.14

 

Se há coisa que me revolta profundamente é o estado a que se deixou chegar a soberania nacional num país com oito séculos de história. No dia em que na Europa se assiste à emergência de nações a reclamarem a independência, como a Escócia no Reino Unido, ou a Catalunha na nossa vizinha Espanha, Portugal afunda-se completamente, não parecendo capaz de tomar qualquer decisão soberana. Basta alguém sequer aventar essa hipótese, como sucedeu com o manifesto dos 74, hoje cada vez com mais apoios, para ser imediatamente acusado de crime de lesa-majestade, por indispor os verdadeiros soberanos, neste caso os credores. Como já aqui escrevi, esta situação começa a parecer-se com o fim do Estado Novo.

 

Os nossos governantes passaram a dedicar-se exclusivamente à encenação. O actual Primeiro-Ministro, numa prática inaugurada pelo seu antecessor, passou a ir a despacho a Berlim, o que considera um acto de grande soberania. De lá, ao lado da verdadeira soberana, pretende convencer-nos que a Alemanha aguarda com expectativa a decisão do Governo Português, e que a apoiará qualquer que ela seja. Como se nós não tivéssemos percebido que a decisão já foi tomada pela chancelerina alemã, e que o Governo se limitará a executá-la. Porque se não o fizesse, nas imortais palavras do outro, estaria o caldo entornado. Vai estar de qualquer maneira, mas para quem conta isso pouco importa.

 

Mas a encenação mais grave foi a do Presidente na sua comunicação de ontem. Pretendeu, em primeiro lugar, convencer-nos que, depois de uma audição aos partidos políticos, tinha decidido marcar a data das eleições europeias para 25 de Maio. Como se nós não soubéssemos que essas eleições estão marcadas pelo Conselho Europeu desde 14 de Junho passado, só podendo os Estados-Membros decidir sobre se se realizam entre a quinta-feira e o domingo, sendo que o Reino Unido opta habitualmente pelo primeiro dia e os restantes Estados-Membros pelo último. Em segundo lugar o Presidente, numa nova versão de que a pátria não se discute, pede aos partidos políticos que apenas discutam os temas europeus e não os nacionais. Estou mesmo a imaginar um debate entre os portugueses sobre se o melhor presidente da Comissão será Alexis Tsipras, Martin Schulz, Guy Verhofstadt, ou Jean-Claude Juncker. Depois o Presidente pede aos portugueses que sejam bem comportados, e evitem crispações, para não prejudicar os "futuros consensos", que naturalmente outros se encarregarão de decretar. E finalmente o Presidente termina dizendo que o futuro da Europa é o futuro de Portugal. Esta frase lapidar significa apenas que o país já não tem futuro. Como num prefácio recente o Presidente fez questão de explicar.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:26

O candidato.

Quarta-feira, 22.01.14

 

 

Da mesma forma que sucedeu na Grécia e na Itália, a actual crise europeia é um terreno propício para a emergência eleitoral de movimentos populistas centrados em figuras mediáticas. Em Portugal isso acaba de ser ensaiado com a entrada de Marinho e Pinto na corrida para as eleições europeias na lista do MPT-Partido da Terra. Estou convencido de que Marinho e Pinto pode ter um grande resultado eleitoral. O seu discurso é altamente heterogéneo, fazendo apelo simultaneamente a valores de esquerda radical, como o combate aos privilégios, e a valores da direita mais conservadora, como no combate à adopção gay. Precisamente por esse motivo teve a inteligência de escolher para se apresentar a votos um partido considerado neutro em termos ideológicos, que apresenta como bandeiras coisas vagas como o humanismo ou a protecção da natureza, de que ninguém discordará. Por outro lado, o seu perfil de homem de convicções, que diz sempre o que pensa, fará a diferença perante candidatos políticos cata-vento habituados a tomar posições em sentido contrário ao que pensam pessoalmente, como se viu na votação recente da proposta de referendo. Se, por exemplo, o candidato do PSD for Paulo Rangel poderemos assistir a debates como este que se vê aqui

 

Será um erro o PSD e o CDS não perceberem os riscos que correm. O seu discurso recente tem sido o de que a crise está a ficar para trás e os sacrifícios valeram a pena. Só que quem viu este mês o seu salário ou pensão brutalmente cortados não quer saber para nada se os juros da dívida caem ou não, receando é o que lhe possa acontecer amanhã. Quanto ao PS, não foi capaz de construir nenhuma alternativa, o PCP é o que sempre foi e a esquerda radical entretém-se a multiplicar partidos e movimentos. Estamos no terreno ideal para que um candidato como Marinho e Pinto prospere. Os partidos tradicionais que se cuidem.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:45





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