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A viagem de Fernão de Magalhães.

Quarta-feira, 13.03.19

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Dou o meu contributo para este debate, recordando o que no tempo do Estado Novo nos ensinavam na escola primária sobre Fernão de Magalhães: que tinha sido um traidor ao colocar-se por dinheiro ao serviço de Espanha, abandonando assim o seu país de origem, por conta do qual deveria ter feito a viagem, uma vez que, sem a experiência e os conhecimentos náuticos portugueses, a mesma não seria possível. No fundo Magalhães seria a versão antiga do "pesetero". Pelos vistos o debate em Espanha ainda anda nesse nível infantil.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:15

O novo líder do PP espanhol.

Sábado, 21.07.18

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Pablo Casado, o homem que durante a crise catalã insinuou que Puigdemont poderia acabar por ser fuzilado, como Companys o foi em 1940, acaba de ser eleito presidente do PP. É manifesto que de Espanha não sopram bons ventos.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 16:45

A geringonça espanhola.

Sexta-feira, 01.06.18
Resultado de imagem para Pedro Sánchez presidente

Aquando das últimas eleições espanholas, tive um almoço com um colega espanhol em Lisboa. Iniciámos a refeição com uma sopa à alentejana e a certa altura perguntei-lhe se a Espanha poderia imitar Portugal com Pedro Sanchéz a criar uma geringonça espanhola para derrubar Rajoy. A resposta dele foi a seguinte: "A geringonça portuguesa é como esta sopa à alentejana. Alimenta, mas não tem muitos ingredientes. A nossa geringonça seria uma verdadeira sopa à espanhola, com imensos ingredientes, entre os quais os partidos independentistas. E estes exigiriam cedências inaceitáveis ao governo espanhol para lhe dar o seu apoio. O PSOE não tem condições para alinhar nisso".

 

Esse vatícinio verificou-se e não só Rajoy manteve o governo, como também lançou uma guerra sem quartel aos independentistas catalães, com o apoio entusiástico de Albert Rivera e também um apoio sem reservas de Pedro Sánchez, que sabia ser a luta independentista catalã muito impopular no resto da Espanha. Rajoy desencadeou assim uma luta acesa contra a Catalunha, mantendo o art. 155 até ao limite, governando a região com quatro deputados, rejeitando as decisões do parlamento catalão, recusando ministros do governo, etc., etc. Só que aí perdeu o seu apoio parlamentar, uma vez que o ódio que causou aos independentistas catalães e por arrastamento aos nacionalistas bascos foi de tal ordem que a estes partidos passou a bastar um simples estender da mão de Pedro Sánchez para lhe darem o seu apoio.

 

Quando saiu a sentença do caso Gürtel, Pedro Sánchez, em queda sucessiva nas sondagens, viu chegada a sua oportunidade. Lançou uma moção de censura construtiva que facilmente lhe permitiu chegar à nomeação como primeiro-ministro de Espanha. Rajoy bem falou num governo de Frankenstein, imitando a reacção de Passos Coelho ao diabo que a geringonça traria, e Albert Rivera desesperou por não haver eleições, quando todas as sondagens lhe estão a dar o primeiro lugar. Mas, na política como na guerra, quem com ferros mata com ferros morre, e quem se lança com fúria cega ao combate numa frente, pode muito bem desguarnecer a rectaguarda. Hoje o ataque de Pedro Sánchez, que muitos davam como acabado, foi mortífero, lançando um ataque certeiro aos partidos à sua direita.

 

É muito provável que tudo isto acabe mal e que a tal sopa à espanhola seja um caldo bem grosso, totalmente indigerível para Espanha. Mas neste momento o cozinheiro acaba de demonstrar que a mesma pode ser preparada para ser servida. A geringonça também foi possível em Espanha.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 20:11

A justiça em Espanha.

Sexta-feira, 20.04.18

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Sempre me pareceu que as acusações aos independentistas catalães eram tão absurdas que não passavam de castelos no ar, que para qualquer jurista não resistem ao mais leve sopro. Face ao que aqui se refere, com que base legal estão deputados há meses presos preventivamente e um parlamento democrático impedido de eleger o governo que deseja?

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publicado por Luís Menezes Leitão às 09:02

Um momento de humor.

Quarta-feira, 04.04.18

Perante tanta polémica, neste blogue e não só, sobre a situação na Catalunha, não resisto a partilhar este cartoon. Como diziam os romanos, "ridendo castigat mores".

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:12

O ignominioso tratado que reconheceu a independência de Portugal.

Terça-feira, 13.02.18

Depois das inacreditáveis declarações de António Costa ao ABC, a apoiar a vergonhosa acção de Espanha contra os independentistas catalães, vem o mesmo ABC poucos dias depois criticar a independência de Portugal, lamentando os 350 anos do "ignominioso tratado de paz que pôs fim à poderosa união de Espanha e Portugal". Mostra bem como António Costa deveria ter estado calado nesta matéria. Ao contrário do que muita gente julga, defender a autodeterminação dos povos de Espanha deveria ser uma política essencial ao Estado português, sob pena de Espanha também poder questionar o direito de Portugal à sua própria independência. É manifesto que para isso não lhe falta vontade. Afinal, como se escreve neste artigo, Portugal não se revoltou ao mesmo tempo que a Catalunha, só não tendo sido subjugado como esta, porque alguém em Espanha se lembrou de assinar um "ignominioso tratado de paz"? Bem diz o povo que de Espanha nem bom vento nem bom casamento. E a falta de solidariedade com que agora estamos a tratar os catalães pode um dia virar-se contra nós. Se alguém tem dúvidas que olhe para a imagem, também fornecida pelo ABC, com uma alegoria da conquista de Portugal, com o leão espanhol a subjugar o dragão português. É elucidativo da forma como os castelhanos acham que devem conviver com os outros povos da península ibérica.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 11:55

Democracia espanhola.

Terça-feira, 23.01.18

Agora vem o Ministro do Interior espanhol dizer que Espanha vai vigiar as fronteiras para assegurar que Puigdemont, já aceite pelo Parlament da Catalunha como candidato a Presidente da Generalitat, não possa entrar em Espanha nem na mala de um automóvel. Nunca se viu maior desrespeito pelo voto eleitoral e pela decisão soberana de um parlamento eleito, como o que agora está a acontecer em Espanha. Uns poderão virar a cara para o lado e outros até aplaudir. Para mim, é pura e simplesmente chocante que isto aconteça num país europeu.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 17:46

Uma justiça politizada.

Terça-feira, 05.12.17

Quem acredita na capacidade de Espanha julgar de forma isenta e imparcial os independentistas catalães, bem pode perder as ilusões com o que se tem passado nois últimos dias. Primeiro são mantidos na prisão os membros do governo catalão que não fugiram, não porque haja perigo de fuga, mas por receio de continuação da actividade criminosa, leia-se, continuarem a defender a independência da sua região. Depois revoga-se o mandado de detenção europeu dos que fugiram, a pretexto de que disseram que iriam regressar, mas com o fim óbvio de evitar que os tribunais belgas se pronunciem sobre essa questão. Adivinha-se o que eles iriam dizer sobre o assunto.

 

Acrescento que estive há dias em Barcelona e estou convencido de que a situação está muito longe de estar resolvida com a aplicação do art. 155. Aguardemos pelo pelo resultado do 21 de Dezembro.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 12:57

Critérios de extradição.

Quarta-feira, 08.11.17

Não deixa de ser curioso que, enquanto é pedida a extradição imediata de Puigdemont, Iñaki Urdangarin, "cunhadíssimo" do actual Rei de Espanha, condenado a seis anos e três meses de prisão por corrupção, continue a viver feliz e contente na Suíça, sem que nenhuma autoridade espanhola o incomode.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 05:36

A verdadeira defesa do Estado de Direito.

Domingo, 05.11.17

Enquanto que tanta gente, na Europa e até em Portugal, olha para o lado perante a brutal prisão dos independentistas catalães, em Espanha a associação Jueces per la Democracia, constituída em 1983 para criar uma verdadeira justiça democrática na Espanha saída do franquismo, critica a decisão da juíza Carmen Lamela e avisa que a mera aplicação das leis não vai resolver o problema na Catalunha, apelando a uma solução política da questão.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:39





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