Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


A guerra na Europa.

Terça-feira, 20.12.16

Num só dia tivemos um atentado em Berlim, outro atentado em Zurique e o assassinato do embaixador russo em Ancara por parte de um polícia turco, que gritou vivas a Alepo, cidade que acaba de ser reconquistada ao Estado Islâmico pelas forças governamentais sírias, com o apoio da Rússia. É manifesto que estamos perante uma verdadeira guerra no terreno, de que o conflito sírio é apenas um balão de ensaio, assim como a guerra civil espanhola, que precedeu a II Guerra Mundial. A Europa encontra-se neste momento ocupada por verdadeiras quintas-colunas, onde o inimigo pode estar à espreita em qualquer canto, podendo ser o motorista do camião que circula na estrada ou até mesmo um agente de autoridade, preparados para a qualquer momento lançar o ataque. Precisamente por isso a Europa tem que deixar de enfiar a cabeça na areia como a avestruz e preparar-se para se defender, até porque a América já não vai estar disponível para financiar a sua defesa. É mais que tempo de a Europa perceber que enfrenta uma guerra no seu território e mobilizar-se para combater. Porque não haja ilusões: se a guerra põe naturalmente em risco o bem-estar dos europeus, nada fazer perante a guerra será seguramente muito pior.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 07:23

A Europa em implosão.

Sexta-feira, 06.02.15

O que se vê desta conferência de imprensa conjunta de Schäuble e Varoufakis parece muito claro: a Alemanha pretende permanecer irredutível em relação à Grécia, que trata como um mero estado vassalo. Não deixo de achar significativo que durante toda a conferência Schäuble tenha falado sempre em alemão, língua que Varoufakis não domina. Acho que a resposta de Varoufakis deveria ter sido falar por sua vez em grego, o que teria sido divertido ver Schäuble tentar seguir.

 

A única vez que Schäuble falou em inglês foi para dizer uma frase corriqueira: "We agree to disagree". Mas nem essa frase Varoufakis deixou passar: "We didn´t reach an agreement, it was never on the cards that we would, we didn't even agree to disagree from where I am standing". É difícil ser mais claro no sentido da divergência total entre os dois Ministros das Finanças. A continuarmos neste registo, e sendo já assumido por todos os países na Europa que o euro é propriedade dos alemães, parece claro que a Grécia vai ser expulsa do euro por indecente e má figura a muito curto prazo. O que não parece perturbar muito os gregos, um povo orgulhoso, que está farto de ser tratado desta maneira.

 

O problema é as questões geoestratégicas que esta situação provoca e que me parece que não estão a ser equacionadas. Outro dia, na fantástica série dinamarquesa Borgen, que passa na RTP2, uma personagem comentava que toda a Europa do Sul estava na bancarrota e que, para elidir esse facto óbvio, as troikas tinham mandado os países vender as suas empresas públicas a pataco, que imediatamente tinham sido compradas por chineses, o que constituía um enorme risco geoestratégico. A personagem acrescentava que daí a pouco em toda a Europa do Sul só se falaria mandarim.

 

A mesma questão pode-se colocar em relação à Rússia, que no entanto neste momento é muito mais perigosa que a China. Depois da disparatada estratégia europeia de apoiar o derrube do governo ucraniano por uma manifestação numa praça, a situação na Ucrânia evoluiu para uma guerra civil séria, sem que no entanto o governo ucraniano se mostre minimamente capaz de controlar os rebeldes russos. Depois de uma série de derrotas militares, o presidente ucraniano Poroshenko recebeu uma carinhosa visita de apoio de Merkel e de Hollande, tendo este último ameaçado que se poderia entrar em guerra total. Putin não se ficou e antes mesmo de receber estes dois, formulou um convite a Tsipras para visitar a Rússia. A Europa pode implodir de um momento para o outro e, como em 1914, os seus governantes parecem sonâmbulos que não vêem o que estão a fazer.

 

 
 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 08:11

O ano começa bem

Terça-feira, 03.01.12

 

Grécia sairá do euro se não receber mais 130 000 milhões.

 

Juros de Portugal e Espanha sobem em todos os prazos.

 

Há mais cotadas portuguesas de malas feitas para a Holanda.

 

Metro de Lisboa poderá não pagar dívidas "se Governo não tomar medidas extraordinárias".

 

Perante estas notícias que constantemente surgem, os diversos governantes da Europa limitam-se a fazer discursos apelando à mobilização dos cidadãos. A mim lembram-me aqueles que continuaram a tocar violino enquanto o Titanic se afundava.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 12:36

A Europa alemã.

Sexta-feira, 22.07.11

 

 

O resultado da cimeira europeia de ontem pode ter sido bom para os países aflitos, mas a meu ver foi péssimo para a construção europeia, tal como tinha sido concebida pelos seus fundadores. Durão Barroso deixou-se ultrapassar completamente e o papel da Comissão Europeia ficou totalmente sacrificado ao peso do eixo franco-alemão, sendo que até uma figura apagada como Hermann Von Rompuy conseguiu ter maior protagonismo. A Comissão Europeia tem assim que se resignar a partir de agora a cumprir um papel secundário, uma vez que a componente intergovernamental passou a ser a nova configuração do poder na Europa, o qual passa a recair no seu mais poderoso Estado-Membro. Efectivamente, o que saiu claro da reunião de ontem é que presentemente quem manda na Europa é a chancelerina alemã Angela Merkel. Nos velhos tempos Henry Kissinger queixava-se de que não tinha um número de telefone para falar com a Europa. Agora os americanos já o têm. É o número de telefone da chancelaria alemã. Conforme se viu, Obama já percebeu para que número de telefone deve ligar.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 08:45

Justiça para todos.

Quarta-feira, 18.05.11

 

O caso Dominique Strauss-Kahn constitui um dos mais sérios desafios à credibilidade do sistema de justiça de um país, mas tem que se reconhecer que o sistema de justiça americano, com todas as imperfeições que o caracterizam, tem sabido superar o teste. Na verdade, o que se está a demonstrar é que na América é possível uma simples empregada de hotel acusar de agressão sexual um dos homens mais poderosos do mundo, e que ninguém hesita em avançar com o processo, deter o suspeito na primeira classe do avião e tratá-lo como qualquer outro suspeito de crime é tratado pelos tribunais americanos. Podemos criticar o facto de se exibirem imagens do suspeito algemado, mas a verdade é que essas imagens ocorrem todos os dias em relação a centenas de suspeitos. E os americanos levam muito a sério a regra de que a lei é igual para todos, pelo que seria absolutamente inconcebível darem tratamento diferente a quem quer que seja. 

 

Pelo contrário, a reacção europeia demonstrou um enorme calculismo e uma profunda falta de sentido da realidade, tratando um processo criminal como um caso político. Primeiro, discutiu-se a possibilidade de ele ser ou não candidato às presidenciais francesas depois deste caso, como se o destino da esquerda francesa dependesse apenas da sua candidatura. Depois, pediu-se silêncio sobre o caso com base na presunção de inocência, como se a presunção de inocência pudesse alguma vez justificar a manutenção nas mais altas funções de um organismo internacional de alguém que foi detido e envolvido num escândalo público desta natureza. O próprio deveria ter-se demitido imediatamente para proteger a instituição a que preside. Mas já passou quase uma semana e ele permanece no cargo. Ora, o FMI deveria consciência dos danos que isto causa à sua própria credibilidade como instituição. E os líderes europeus deveriam perceber que a posição da Europa no mundo não pode ficar dependente do resultado do processo do Senhor Strauss-Kahn, mesmo que ele esteja completamente inocente destas acusações.

 

Daí a grande diferença entre a Europa e os Estados Unidos. A ideia de que a justiça é igual para todos está inscrita desde o início na consciência americana. No juramento de fidelidade (pledge of allegiance), que as crianças aprendem na escola, elas juram o seguinte perante a sua bandeira: "I pledge allegiance to the flag of the United States of America, and to the republic for which it stands, one nation indivisible, with liberty and justice for all". Esta ideia da união da Nação e da sua capacidade para aplicar a justiça a todos é um dos princípios essenciais da doutrina americana e está profundamente imbuída no espírito de qualquer cidadão americano.

 

Pelo contrário, a Europa tem assentado num simples jogo de interesses, sem qualquer respeito pelos princípios, parecendo que os dirigentes europeus acham mais importante ter um europeu como presidente do FMI do que a aplicação da justiça a todos. Não admira, por isso, que há uns anos um importante juiz norte-americano me tenha dito singelamente o seguinte. "Eu não acredito na bandeira europeia. Só acreditarei na bandeira europeia, quando vir alguém disposto a dar o seu sangue por ela". Confesso que perante estas declarações me perguntei se de facto haveria muita gente no continente europeu disposta a sacrificar a sua vida por uma Nação europeia. Hoje, o que a crise financeira demonstrou é que a União Europeia é tão ténue que nem sequer os contribuintes de um Estado-Membro aceitam que os seus impostos possam servir para evitar a bancarrota de outros Estados-Membros. Com este espírito nunca a Europa se conseguirá afirmar no mundo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Luís Menezes Leitão às 16:29





mais sobre mim

foto do autor


pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Fevereiro 2026

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728




comentários recentes


Posts mais comentados



subscrever feeds