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O novo governo italiano.

Sexta-feira, 01.06.18
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Lembro-me da candidatura de Pintasilgo às eleições presidenciais de 1986, em que ela apresentou praticamente um programa de governo que se propunha executar a partir da presidência. Essa candidatura naufragou num célebre debate com Mário Soares em que este candidamente lhe perguntou como seria possível executar esse programa se era o parlamento que escolhia o governo. Ela imediatamente respondeu que não aceitaria um governo que não executasse o seu programa. Soares limitou-se a replicar: "O parlamento reitera a confiança no governo e ao presidente só resta renunciar ao cargo". A candidatura de Pintasilgo acabou aí.

 

Foi praticamente isso o que se passou em Itália com o Presidente Sergio Matarella a rejeitar o governo de coligação saído do Parlamento, por incluir na pasta das Finanças o eurocéptico Savona, e a querer nomear um "governo técnico", presidido por Carlo Cotarelli, não por acaso um antigo funcionário do FMI. Para tal muito contribuíram as declarações do comissário alemão Günther Öttinger, que disse que os mercados iriam ensinar os italianos a votar de maneira correcta. Tal foi oferecer de bandeja a Salvini uma futura vitória eleitoral, após a garantida rejeição do "governo técnico" no parlamento. Aí é que os mercados entraram em pânico, com o comissário alemão a pedir desculpas aos italianos e o presidente viu-se forçado a aceitar de novo a coligação Salvini-Di Maio. Para não perder totalmente a face, deram-lhe um prémio de consolação com Savona a sair da pasta das Finanças, ainda que tenha passado provocatoriamente para os Assuntos Europeus. Mas é manifesto que a sua capacidade de influenciar o novo governo ficou reduzida a zero.

 

Tudo isto demonstra que as sucessivas ingerências da União Europeia nos assuntos internos dos Estados-Membros não conduzem a bom resultado. Em democracia o voto dos eleitores é soberano e não são aceitáveis tutelas externas. A União Europeia devia ter aprendido com o Brexit, mas pelos vistos não aprendeu nada. A continuarem assim, isto não vai acabar bem.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:42

Regresso ao futuro do PREC.

Sábado, 17.10.15

No mês em que supostamente Marty McFly teria chegado ao futuro numa máquina do tempo (nós também chegámos e nem precisámos de máquina do tempo, só levámos mais trinta anos), sente-se cada vez mais o regresso ao PREC. Parece que de facto recuámos numa máquina do tempo quarenta anos e que 2015 é afinal 1975.

 

Voltámos ao velho tempo dos governos provisórios formados pelas vanguardas da classe operária que se estão nas tintas para os resultados eleitorais, e só almejam uma plataforma revolucionária. Vasco Gonçalves então proclamou que não poderia deixar que fossem perdidas em eleições as conquistas revolucionárias duramente obtidas pelo povo português. É assim que António Costa, que foi entrondosamente derrotado nas urnas, acha que pode afinal constituir um governo, só que será sempre um governo provisório, ainda mais fraco do que um governo de gestão.

 

Efectivamente, o PCP e o Bloco apenas garantiram ao PS um governo provisório de um ano, sendo manifesto que depois exigirão que seja feito o corte com a União Europeia, o euro, e proclamada a reestruturação da dívida. Só que, como numa espécie de futuro alternativo, em que Mário Soares teria sido derrotado por Vasco Gonçalves, o PS deixou de ser um partido do arco da governação e passou a ser o que na altura se ambicionava: o "verdadeiro partido socialista". É assim que António Costa está a considerar seriamente a hipótese de constituir um governo frentista, ainda que limitado a um ano, o qual transformará o PS num partido sem futuro, um mero compagnon de route do PCP e do BE, que rapidamente será atirado para o caixote do lixo da História, como Lenine fez aos mencheviques na Rússia.

O outro aspecto interessante destes tempos do PREC, é termos voltado a ouvir o inesquecível Arnaldo Matos, que já disse o que pensava de qualquer governo: "Qualquer que seja o governo que saia da Assembleia da República eleita no sufrágio do último domingo, seja da coligação Coelho/Portas, seja o do arco governativo Coelho/Portas e Costa, seja o governo de Costa com o apoio directo ou apenas parlamentar dos revisionistas do PCP ou das meninas oportunistas do Bloco, qualquer desses três governos é um governo da Europa Alemã, do capital germânico, da Tróica, de Ângela Merkel e de Schäuble, mas nunca um governo do povo português, nunca um governo ao serviço da classe operária e dos trabalhadores". Arnaldo Matos continua a ser o grande educador da classe operária e mostra de facto que as eleições só servem para pôr em causa o seu papel de vanguarda. Isto mesmo que respeitem a candidatos do seu próprio partido. Como ele de facto assume: "se alguns dos nossos candidatos fossem eleitos, eu emigrava…". Só faz lembrar aquele anarquista espanhol que proclamava: "Hay gobierno? Se hay, soy contra! Se non hay, también soy!".

 

Como é que terminará este novo futuro alternativo do PREC? É que isto não é um filme. É a sério.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 10:29

Afinal o MRPP continua a ser o que era.

Quinta-feira, 15.10.15

Como se comprova por este comunicado, o MRPP afinal voltou à linha justa. O secretário-geral já foi suspenso devido ao seu inaceitável "anticomunismo primário" e o partido assume-se como a verdadeira vanguarda da classe operária, correndo das suas fileiras "com os social-revisionistas, social-fascistas e demais oportunistas que tomaram conta do seu quartel-general". O partido vai continuar assim a prosseguir o caminho glorioso indicado pelo camarada Estaline e pelo Grande Timoneiro. Retiro por isso tudo o que disse.  É agora manifesto que este grande partido comunista e operário não pode deixar de ter lugar no futuro Governo Provisório unitário liderado pelo camarada António Costa. Viva o Partido Comunista Operário! Viva o Governo de Unidade Democrática e Patriótica! Fora o Euro! Queremos o Escudo Novo! Morte aos Traidores!

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publicado por Luís Menezes Leitão às 07:25

Não há que ter receio.

Quarta-feira, 14.10.15

António Costa quer acalmar os mercados e as chancelarias europeias. Com este tipo de declarações, calculo que isso não será difícil.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 08:22





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