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Um erro colossal.

Sexta-feira, 05.02.16

Em política a mensagem tem que ser muito clara e totalmente credível. Esta mensagem da recandidatura de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD é tudo menos isso. O desenho e o slogan "Social-Democracia sempre" remetem-nos para os tempos iniciais do PPD que, nos idos do PREC, propunha a social-democracia como tímido contraponto ao socialismo, que todos os outros partidos sustentavam. Na altura até o CDS reclamava defender um "socialismo personalista".

 

O problema é que esta imagem e este slogan fariam sentido numa candidatura de Pacheco Pereira à liderança do PSD. Numa candidatura de Passos Coelho não fazem sentido absolutamente nenhum. Quem andou nos últimos quatro anos a dizer que o actual Estado Social é insustentável e que os contribuintes já não o conseguem suportar, não pode agora andar a proclamar "Social-Democracia sempre" e a recordar os tempos iniciais do PPD. Primeiro, essa recordação só fará sentido para pessoas com mais de 50 anos, já que a todos os outros nada dirá. Depois, se há imagem que Passos Coelho conseguiu construir foi a de alguém realista e que não iludia as dificuldades presentes que o país atravessa. Apresentar uma imagem mirífica de regresso a um tempo em que tudo parecia possível representa uma contradição total, o que só pode confundir os eleitores. E estes estão preocupados é com a realidade muito concreta da situação económica do país, que ameaça desabar a qualquer momento.

 

Por outro lado, o discurso de Passos Coelho também está a ser um desastre em termos políticos. Passos Coelho não consegue sair da amargura de repetir sucessivamente que "não só não governa quem ganhou as eleições como governa quem as perdeu", o que, sendo a mais pura das verdades, não deixa de representar alguém incapaz de virar a página. Apresentar como principal conteúdo da sua mensagem política o de que "não falhámos" e que "este é o passado com que me apresento" é estar focado no passado e não no presente.

 

Só que o presente não é ser primeiro-ministro, mas líder da oposição. E se no passado Passos Coelho foi um bom primeiro-ministro, não foi seguramente um bom líder da oposição, já que foi incapaz de travar o caminho de Sócrates em direcção à bancarrota, tendo-lhe dado a mão vezes excessivas. É aliás o que está agora outra vez a fazer com António Costa, não se compreendendo como é que alguém pode dizer "não acredito na solução de Governo actual", para depois ser quem lhe salva o orçamento rectificativo.

 

Passos Coelho começa a parecer-se perigosamente com Al Gore, que venceu o voto popular nas eleições dos Estados Unidos, mas não conseguiu impedir que George W. Bush chegasse à presidência, já que teve mais votos no colégio dos grandes eleitores. Al Gore foi incapaz de seguir em frente, e mesmo depois do colapso da presidência de George W. Bush, com Al Gore ninguém mais contou.

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publicado por Luís Menezes Leitão às 06:39


6 comentários

De guy a 05.02.2016 às 09:26

Bom escrito.
só não acho que tenha sido um bom primeiro ministro. é um mentiroso

De luis a 05.02.2016 às 09:29

Social Democracia sempre, Passos Coelho nunca mais.

De Zé Pagante a 05.02.2016 às 10:50

Portugal ainda tem muita gente igual à que é descrita por Guerra Junqueiro, in 'Pátria (1896)'. "Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, ..." e enquanto assim for, políticos aldrabões e "sem ideias" como este pedro coelho continuarão a ser eleitos

De Inocêncio Cebola a 05.02.2016 às 11:11

Se não for isto ou o que a politica lhe dá, o que irá fazer o homem que foi considerado o mais incompetente dos 1ºs ministros e o mais mentiroso?

De Makiavel a 05.02.2016 às 12:11

É, de facto, um erro colossal.
Pretender que as pessoas vão acreditar nesta súbita viragem aos primórdios teórico-programáticos do PPD de Sá Carneiro, depois de 4 anos do mais descabelado neo-liberalismo de bolso, é pedir demasiado.
Acresce que a social-democracia, em Portugal, está representada pelo PS. A viragem consumada à direita por parte do PSD (em rigor sempre foi de direita, basta ver a sua filiação europeia no PPE) faz parecer que o PS se radicalizou à esquerda. O que aconteceu foi tão somente uma europeízação da política nacional.
Mesmo reeleito, o futuro político de Passos Coelho está traçado. Esta sua recandidatura falha por 2 motivos: a sua "viragem" não é convincente nem credível, e o eleitorado a que se dirige não está desse lado.

De Paulo Jaime a 05.02.2016 às 12:29

Análise interessante e abrangente ...
O ter sido bom 1º ministro é que discordo ..se o foi para alguns sectores da sociedade Portuguesa e não a sua globalidade !

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